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O olhar em preto e branco de Walter Firmo
sobre Paris em exposição em
Belém
Paris,
Parada sobre Imagens, é a
exposição do fotógrafo
carioca Walter Firmo, que acontece no período
de 06 a 31 de março, na Galeria Fidanza,
do Museu de Arte Sacra (MAS), em Belém.
Na ocasião o fotógrafo lançará
de um livro sobre fotografia. A promoção
é da Secult e da Funarte, com patrocínio
do BASA e Fotofilmes e apoio cultural da
Sol Informática, Spazzio Verdi e
Hotel Itaoca.
Das suas caminhadas por uma Paris nublada
surgem fotos que traduzem instantes decisivos
bressonianos. Reflexos de árvores,
chaminés e bustos de manequins são
lembranças da poética de Atget,
aproximando-o de uma fotografia moderna
e surrealista.
Noutras fotos aparecem grandes out-doors,
como ruídos dentro de uma paisagem
arquitetônica clássica. Firmo
direciona o olhar para uma conjunção
mais ampla e elaborada com o ambiente cênico
da cultura urbana parisiense e revê,
criativamente, o potencial semântico
da fotografia: intensifica o movimento de
uma roda gigante cujo efeito borrado traz
a dissolução parcial das formas,
e cria, em outras situações,
grafismos entre jogos e sombra.
Nos auto-retratos, sua presença se
revela, ora de maneira explicita, ora de
uma forma sutil, quase imperceptível.
Mas, em outro instante, é preciso
rastrear sua identidade num auto-retrato
somente sugerido por uma indumentária.
Como a identidade do fotógrafo Joseph
Kouldelka, que se revela a partir dos seus
objetos pessoais, também a de Firmo
se mostra pelo rastro, pela pegada, pela
forma de se acercar ao invisível,
trabalhando no campo da ambigüidade.
Com os núcleos visuais estabelecidos
na curadoria da exposição
encontra-se um fotógrafo que parte
de situações corriqueiras
do dia-a-dia para lidar com as questões
da linguagem em preto e branco. Em sua produção
colorida, Firmo parte de outro imperativo,
encenando as situações com
as quais empreende diálogo, e por
esta razão é conhecido como
um construtor de imagens. De outro lado,
no preto e branco é um espaço
neutro, que abriga a investigação
da linguagem e suas inter-relações
com o seu meio parisiense. "A fotografia
em preto e branco é o meu altar de
oração", observa o artista,
enfatizando que "existem fotógrafos
que trabalham com o flagrante, enquanto
que outros trabalham com o invisível
porque intuem o momento, ou ainda alguns
que agem como engenheiros, quando forjam
as fotos".
Expoente de uma antiga geração
de fotojornalistas, Walter Firmo propõe
uma nova direção para o seu
trabalho, distanciado-se do inconfundível
estilo colorista que marcaria a sua presença
em projetos de vanguarda, como o da Revista
Realidade, nos anos 60, ou em ensaios fotográficos
memoráveis como o realizado nos anos
70, com o célebre compositor Pixinguinha.
Firmo mostra que sua fotografia pode enveredar
por outros caminhos, incorporando progressivamente
a linguagem em preto e branco como mais
uma etapa de seu percurso artístico.
Serviço
A exposição Paris, Parada
sobre Imagens, do fotógrafo Walter
Firmo, acontece no período de 06
a 31 de março, na Galeria Fidanza
, do MAS, em Belém.
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