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A cidade das mangueiras

Referência histórica e turística na Amazônia

Tudo começou há 384 anos. A expedição portuguesa liderada por Francisco Caldeira Castelo Branco desembarcou às margens da baía do Guajará para evitar a ocupação dos holandeses, ingleses e franceses, que estavam tomando o norte da América do Sul. Exatamente onde desembarcaram, os portugueses ergueram o Forte do Presépio, hoje Forte do Castelo.

Batizaram a nova conquista de Feliz Lusitânia, que depois foi chamada de Santa Maria do Grão Pará, Santa Maria de Belém Grão Pará e, finalmente, Belém.Hoje, é conhecida por "cidade das mangueiras" devido aos seus belos túneis de mangueiras; é famosa por certos frutos regionais (como o açaí, o bacuri e o cupuaçu), pelo calor escaldante, pelo sorvete no meio da tarde e pelo namoro depois da chuva. Belém é conhecida, principalmente, pelo Círio de Nazaré, a maior festa religiosa do país, que acontece há mais de 200 anos, atrai turistas do mundo inteiro e reúne cerca de um milhão e meio de pessoas, sempre no segundo domingo de outubro.

A herança étnica da população de Belém é uma mistura de traços do branco europeu, do negro e, sobretudo, do índio – características que lhe dão o apelido de "cidade morena". Aliás, a herança desses povos também tem outras manifestações, seja no artesanato indígena ou nos antigos casarões, palacetes e igrejas que fazem do bairro da Cidade Velha uma espécie de museu a céu aberto. Lá, a baía de Guajará se encontra com o rio Guamá, que banha uma parte das 39 ilhas da cidade. Algumas já foram incluídas no roteiro de veraneio, como as ilhas de Mosqueiro, Outeiro, Cotijuba e Combu, mas outras não foram nem batizadas e ainda são.

Os furos, rios e igarapés se confrontam com o cenário urbano de Belém, que hoje é não só a capital dos paraenses, mas também de imigrantes, em especial nordestinos. É também uma capital de visitantes ilustres, como o papa João Paulo II, o príncipe Charles, da Inglaterra, chefes de estado, imperadores, presidentes e astros internacionais do cinema e da música.Para receber essas e outras visitas, a cidade possui uma infra-estrutura básica, que só agora começa a ser ampliada: portos, um aeroporto internacional e um terminal interestadual de ônibus, além de vários hotéis, bares e restaurantes. Os teatros, parques, praças, monumentos e museus são atrações que valem a pena conferir, sem falar no Ver-o-Peso, uma feira histórica, construída no século XVIII e que está sendo avaliada pela Unesco para ser transformada em Patrimônio Cultural da Humanidade.

Além do turismo histórico e ecológico, a cidade permite o turismo de eventos, oferecendo centro de convenções e bons espaços para congressos, exposições e feiras. No campo científico, Belém conta com importantes centros de pesquisa, como o Instituto Evandro Chagas, Centro Nacional de Primatas, Museu Paraense Emílio Goeldi, Embrapa e universidades. Com isso, a cidade vai se desenvolvendo e se modernizando, tornando-se palco de discussões nacionais e internacionais sobre os mais diversos assuntos, principalmente os que se referem à região amazônica: desenvolvimento sustentável, biodiversidade, pirataria genética e outros. Enfim, estar no "coração da Amazônia" dá a Belém uma importância internacional - no passado para a coroa portuguesa, hoje para todo o