|

Carinhosamente
chamada de Vila Sorriso, Icoaraci faz jus
ao nome, que em tupi-guarani quer dizer
"de frente para o sol". A Vila,
além da alegria de seus moradores, tem
sol à vontade de junho a setembro. Para
alguns, morar Icoaraci é um privilégio.
Apesar da proximidade com a cidade grande
(são apenas 18 km de Belém), a Vila
Sorriso ainda conserva ares de cidade de
interior.
Ruas tranqüilas, a orla banhada
pelas águas da Baía do Guajará e sua
famosa água de coco, o artesanato que
encanta os turistas e os casarões, lembrança do
colonização européia. O ar bucólico da
charmosa Icoaraci deu a vila um apelido
bem apropriado: "terra dos pés-redondos",
por causa do grande número de ciclistas.
Lá, a bicicleta é o meio de transporte
preferido e pode ser vista aos montes por
todos os lugares.
Icoaraci
também é um centro produtor do
artesanato paraense: a cerâmica marajoara
e tapajônica. Lá, na Feira do Paracuri
ou no Museu do Artesanato é possível
comprar peças diretamente das mãos dos
artesãos a preços bem abaixo do mercado.
São vasos, objetos de decoração e
utilitários...cultura deixada como herança
pelos índios e que hoje é fonte de renda
para muitos dos moradores do distrito.
Mas o
sorriso da Vila também é história. E são
quase 300 anos. Contam os historiadores
que tudo começou quando Francisco
Caldeira Castelo Branco aportou ali, onde
hoje se encontra a Ponta do Cruzeiro, às
vésperas da fundação da Província do
Grão-Pará. Os marinheiros que vieram com
ele encontraram lá, muitos favos de mel,
produzidos pela abelhas nativas. Desse
episódio teria nascido a primeira
denominação de Icoaraci: Ponta do Mel.
Anos
depois, o então governador interino do
Maranhão e Grão-Pará, Sebastião
Carrilho, concedeu um pedaço de terra,
que ia da Ponta do Mel até o Paracuri, à
Sebastião Gomes de Souza, que mais tarde as doou para os padres carmelitas
calçados que ali fundaram duas fazendas:
a Pinheiro da Ponta do Mel e do
Livramento. Os padres permaneceram com a
propriedade até 1824, quando venderam os
terrenos para o tenente coronel João Antônio
Ferreira Bulhões. Com a morte do
coronel, a propriedade passou para as mãos
da filha dele, D. Maria Francisca Corrêa
Bulhões. Porém, anos mais tarde, devido
a problemas no leprosário mantido pela
Santa Casa, no rio Tucunduba, o então
governador da época general Francisco
Andréa, comprou a fazenda Pinheiro para
manter ali o novo leprosário. Problemas
financeiros no governo provincial fizeram
com que os legisladores arrendassem a
fazenda, mas a idéia não deu certo e o
governo decidiu então transformar a
fazenda em povoado, chamado de povoado de
Santa Isabel do Pinheiro. Só em 1943, a
Vila Pinheiro passou a ser denominada de
Vila de Icoaraci, pelo interventor federal
coronel Joaquim Magalhães Cardoso Barata.
Mas a memória
de Icoaraci vai além dos fatos históricos,
passa pelos seus belos casarões (hoje não
tão conservados), mas que ainda são atrações
turísticas. Um dos exemplos é o prédio
da antiga biblioteca municipal. Hoje
totalmente reformado, o casarão – também
chamado de chalé Tavares Cardoso - é uma
riqueza de detalhes da herança da
colonização européia.
Vila Sorriso, Terra dos Pés-Redondos ou,
simplesmente, Icoaraci...nada disso
importa. O que vale é desfrutar da brisa
fresca à beira da praia do Cruzeiro, uma
ótima opção de lazer e até mesmo de
remanso bem pertinho de Belém.
|