Palacete
Bolonha Idealizado
pelo arquiteto Francisco Bolonha em 1905, o Palacete Bolonha é um dos mais belos
exemplos do art noveau em Belém, um estilo característico da época do Ciclo da
Borracha. Esse atraente prédio é também uma bela demonstração de amor, já que
foi construído por Bolonha para presentear sua esposa, a pianista carioca Alice
Tem-Brink. Além do casal, o Palacete foi residência de gente de expressão na história
da capital paraense e funcionou, inclusive, como sede da Prefeitura de Belém.
A delicadeza e sofisticação desse patrimônio refletem algumas novidades arquitetônicas
européias da época, trazidas para Belém por Bolonha. Ele
uniu vários estilos no palacete, adaptando-o às suas necessidades de trabalho.
Mesmo desprezando o estilo barroco português, ainda usado na época, Bolonha deu
ao palacete certas características do barroco brasileiro em sua estrutura, como
o Rococó; usou o decorativismo intenso e fez a cobertura à la mansard, com telhas
pintadas propositadamente para dar jogo visual à distância. O resultado foi um
palacete eclético.
A
beleza do imóvel vai ainda mais longe. A influência gótica denuncia a fuga do
arquiteto de um estilo fixo e é observada nas agulhas do teto (influência do fim
do século XIX), no porão, grades e revestimentos florais. Aliás, a decoração floral
também está presente na entrada, nas salas de banquetes e de jantar e no teto
dourado – executado na Europa, com molduras de influência grega. No piso, a decoração
ficou por conta dos ladrilhos. Em todo o primeiro andar, predominam elementos
ecléticos e neoclássicos, com destaque para o Art Noveau. Já no segundo andar
há o banheiro principal, com ferragens inglesas, banheira em mármore neoclássico,
piso em mármore branco e preto com pastilhas azul-branco e rosa-branco.
Neste segundo piso está também a sala de costura. No terceiro, uma capela em homenagem
à Nossa Senhora de Nazaré, transformada em sala de banho por um outro proprietário,
sintetiza a "alma religiosa paraense" do arquiteto Francisco Bolonha.
Todas essas características enquadram o Palacete Bolonha no contexto da arquitetura
"Kitsch", de bom gosto, descontraída e criativa – observada, inclusive,
na belíssima escada em espiral, que funciona como chaminé de ventilação. Essas
e outras histórias sobre o palacete chamam atenção de turistas e estudiosos para
a importância desse antigo e belo imóvel, que transpôs décadas e caminha para
um novo milênio, como testemunha do passado glorioso da cidade de Belém.