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Era o ano de 1878. Belém inaugurava seu maior e, até hoje, mais belo teatro – o Teatro da Paz. Com esse presente veio outro agregado, não tão imponente como o teatro, mas tão charmoso quanto os cafés parisienses da época. Era um coreto de ferro, que funcionava como bilheteria do Teatro da Paz. 

Por mais que haja rumores de que o coreto teria sido um Café, moldado no estilo parisiense, sabe-se que funcionou como bilheteria do teatro durante várias décadas, até o da Paz ganhar sua própria bilheteria. A partir daí, o coreto virou o que é hoje: o tradicional e amado bar do Parque.

Por lá já passaram muitos governadores, artistas, turistas e visitantes. O Bar do Parque é um cantinho que guarda um pouco da história de Belém e já faz parte dos cartões postais da cidade. É também o espaço que expressa a trajetória da família Silva Pinto: "seu" Joaquim da Silva Pinto herdou o bar do pai, seu Manoel Francisco Pinto, em 1963. Trabalhou lá até 1998, quando faleceu e deixou a herança para o filho, Manoel Pinto, que cuida do bar com o mesmo carinho que o avô e o pai dedicaram ao lugar durante várias décadas. 

Na época da Borracha recebeu grandes companhias artísticas, musicais e de ópera, que vinham da Europa se apresentar no Teatro da Paz. Nas décadas de 30 e 40, virou parada obrigatória das pessoas que participavam de movimentos políticos e desfiles carnavalescos. Atualmente, continua movimentado. Entre os clientes mais ilustres, artistas hollywoodianos, como Tom Berenger e Daril Hanna, e nacionais, como a cantora Fafá de Belém, o antigo grupo Os Trapalhões e o ator Lúcio Mauro, que adora o Caldo Verde, especialidade da casa servida durante a noite. Em datas como o Dia da Raça, Dia da Independência e o período que antecede o carnaval são motivos para casa cheia – ou melhor: bar lotado.Um dos dias mais comentados é a véspera do Círio, quando acontece a tradicional Festa da Chiquita, organizada pelos travestis que freqüentam o bar.

A festa só começa depois que passa a Trasladação, levando a imagem da santa à Igreja da Sé. Por isso, a festa é considerada o lado profano da procissão. No dia seguinte, vem o Círio de Nossa Senhora de Nazaré. É o único dia em que o bar não abre, numa demonstração de carinho e homenagem à padroeira dos paraenses. No entanto, quando acaba a procissão, todos os fotógrafos que trabalharam no Círio se reúnem no bar, numa tradição que vem se repetindo há vários anos. Esse é o fim de semana mais esperado pelos freqüentadores e visitantes do Bar do Parque. É quando aquele pequeno coreto vira notícia nos principais meios de comunicações de Belém. É também quando novas gerações descobrem a sua importância para a história da cidade, que vai se renovando a cada acontecimento naquele tão ilustre local.

Serviço:
  O Bar do Parque também funciona como lanchonete e restaurante. Além do Caldo Verde, seus pratos tradicionais são o Pirarucú ao Bar do Parque e o Sanduíche ao Bar do Parque. A cozinha abre das quatro da tarde às quatro da manhã. Quanto às bebidas, serve de tudo, nacionais, estrangeiras. O bar fica em plena praça da República, em frente à rua da Paz, bem ao lado do Teatro da Paz. Bairro do Centro. Fone : 242-8798.

Por: Benigna Soares