| A maior
feira livre da América Latina está na Amazônia. É o Ver-O-Peso, um dos mais significativos
símbolos de representação do povo e da cultura paraense. É considerado um Cartão
Postal de Belém do Pará; um lugar que concentra
misticismos, crenças, hábitos e atividades expressivas dessa população amazônica.
O espaço, hoje registrado como um dos principais pontos turísticos do Brasil,
surgiu no século XVIII, como um posto de fiscalização e tributos. Era a chamada
Casa do Haver o Peso, onde a fiscalização também incluía o peso dos produtos comercializados.
Pertinho
dessa Casa, agora atracam barcos, lanchas e outras embarcações, formando uma das
mais típicas paisagens do Ver-o-Peso. No passado, havia ali uma aldeia dos Tupinambás,
que se servia do igarapé do Piri, uma espécie de ancoradouro natural das ubás
indígenas. Com o tempo, o lugar da antiga aldeia cresceu em volta do
Forte do Castelo, o marco da fundação da cidade de Belém. Com esse crescimento,
surgiram colégios e igrejas
dos Jesuítas, as primeiras construções da cidade.
A arquitetura do Ver-o-Peso combina estilos neo-clássicos com peças de ferro e
gradil importados da Europa. Isto é bastante visível no mercado de carne, conhecido
como o Mercado de Ferro do Ver-o-Peso. Trazido da Inglaterra, é uma tradução do
luxo e bom gosto da época. O mercado de peixe é outra particularidade. Ao seu
redor, um verdadeiro mundo místico se resume nas barracas de vendas de ervas medicinais,
usadas em rituais sagrados e em produção de raízes aromáticas, como o tradicional
"cheiro-do-Pará", usado para perfumar armários de roupas e ambientes.
Além disso, essas ervas são transformadas em produtos regionais usados para tudo,
principalmente para atrair sorte, dinheiro e amor. A magia e a
beleza dessa feira se completam com o movimento, o fluxo diário de pessoas, as
demais barracas de vendas, como de frutas, verduras, legumes e comidas. Aliás,
no rol de refeições há também pratos típicos e lanches, como o tradicional "Mingau
do seu Alcides". As comidas regionais podem ser encontradas prontas ou semi-prontas,
como a maniva pré-cozida para a maniçoba, o tucupi temperado, etc. Há, ainda,
a venda de artesanato, plantas, aves, peças de fogão, geladeira, panela e tudo
o que mais se imaginar. Todo esse complexo abriga, ainda, a Praça do
Pescador, onde se pode apreciar a Baía de Guajará, o cais do porto (hoje em processo
de reconstrução e ampliação) e um belo prédio, bem no centro da feira. É o Solar
da Beira, mais um ponto histórico no Ver-o-Peso. Esse complexo se estende até
a Feira do Açaí (onde fica a Casa do Haver o Peso), que é ligada pela Ladeira
do Castelo (a primeira rua de Belém) a um outro tesouro turístico, bem no coração
da Cidade Velha: o espaço que abriga o Forte do Castelo, a Igreja
da Sé, a sua pracinha e Complexo Feliz
Lusitânia. É nesse ponto da cidade de Belém que começaram a ser traçadas suas
primeiras linhas de História. E nessa história, o Ver-O-Peso ocupa
um capítulo especial, pois já faz parte da cultura do paraense e do roteiro dos
turistas. É uma relíquia instalada na beria da baía, que funciona como um verdadeiro
"canto de sereia" para quem quer conhecer as maravilhas da Amazônia.
Serviço: O Ver-o-Peso fica na Boulevard Castilhos França, s/n -
Cidade Velha. Atualmente, a
feira está sendo avaliada pela Unesco
para ser tombada como Patrimônio da Humanidade. |