A
Amazônia costuma chamar a atenção da comunidade
internacional por seu extenso patrimônio biogenético
e mineral, que abriga também boa parte da água
doce do planeta. O proveito imediato desses recursos relegou
a segundo plano uma importante riqueza cultural derivada da relação
entre a Amazônia e seus habitantes: o imaginário
caboclo. Ele começa a ser descoberto pelo Projeto Imaginário
nas Formas Narrativas Orais Populares da Amazônia Paraense
(Ifnopap), da Universidade Federal do Pará (UFPA), que
desde 1995 reúne as várias formas de narrativas
orais contadas na região.
O
projeto foi iniciado em Belém, campus Guamá, mas
já está implantado nos oito campi avançados
da Universidade. Criado como um programa de pesquisa, cuja missão
era coletar as histórias, lendas e causos das comunidades,
o projeto atinge, hoje, 45 municípios e conta com um acervo
de 5.300 narrativas, recolhidas com a participação
de aproximadamente 2 mil informantes.
Inicialmente
realizado através de encontros, o Ifnopap
agregou um número expressivo de pesquisadores, professores
e alunos. Desde a terceira edição, esses encontros
transformaram-se em expedições onde especialistas
e voluntários de várias partes do país buscam
essas narrativas em seus locais de origem. A bordo do Catamarã Pará,
os pesquisadores navegam por entre a floresta da Amazônia
paraense em regiões onde o isolamento e a preservação
da narrativa oral permitiram colher relatos importantes do imaginário
caboclo.
Expedições
A
importância deste projeto está no registro de informações
que até então se perdiam, essencialmente por conta
da urbanização recente da região e dos impactos
da globalização na cultura local. A primeira expedição,
realizada através do III Encontro IFNOPAP, percorreu o Médio
Amazonas até o rio Tapajós, em Santarém, com
passagem por Monte Alegre, quando focou o tema "Memória
e Comunidade".
O
encontro já percorreu cidades como Oriximiná,
a cerca de 8 horas de Santarém, e trouxe para as discussões
pesquisadores da área da biodiversidade. Na ocasião,
o grupo pôde assistir o Círio de Santo Antônio,
uma das manifestações religiosas mais particulares
do Pará, por ser noturno e fluvial.
Em
2001, o grupo foi até o arquipélago do Marajó,
enfocando mitos e lendas dos contadores de histórias da
região, encontrado nas festas sincréticas e folclóricas
ou nas ladainhas e outras manifestações religiosas.
Algumas das histórias coletadas podem ser encontradas nos
três livros da série "Pará-Conta...",
publicados pela editora Cejup.
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