Dos
principais teatros da Amazônia, o Teatro das Bacabeiras,
de Macapá, é provavelmente o mais novo e um dos
poucos que não remete a um período histórico
da cidade. Ele foi construído entre 1984 e 1990, bem depois
de terminados os tempos dos barões ou a belle époque
da borracha. Apenas treze anos de existência já são
suficientes para transformá-lo no palco maior da cultura
na capital amapaense.
A inauguração do teatro data de 9 de março de 1990, quando
foi apresentado um grandioso espetáculo teatral com a participação
de diversos grupos. Àquela época, o Bacabeiras ainda se chamava
Cine Teatro de Macapá, já que o mesmo espaço utilizado para
a encenação de peças era aproveitado para a exibição
de filmes. Só que o tempo foi passando, Macapá foi ganhando salas
de cinema mais modernas e a quantidade de espetáculos artísticos
que precisava daquele espaço foi crescendo. Achou-se então mais
adequado rebatizar a casa para o nome atual. A mudança foi oficializada
em 9 de março de 1992, por ocasião do segundo aniversário
do teatro. Não é só a pouca idade que diferencia o Bacabeiras de seus
equivalentes nas demais capitais amazônicas. A arquitetura é um
ponto que também chama a atenção. Com linhas modernas de
estilo italiano, o teatro é considerado um dos maiores patrimônios
arquitetônicos de Macapá. Belo por fora, funcional por dentro. O
teatro tem, além do espaço principal com 705 lugares, salas secundárias
destinadas à realização de oficinas, à projeção
de filmes e aos ensaios dos espetáculos. A versatilidade e a importância tornam o Teatro das Bacabeiras palco de
inúmeras ações desenvolvidas pela Fundação
Estadual de Cultura do Amapá (Fundecap). Integram essas realizações
os projetos Arte Na Quinta (que reserva o palco principal do teatro às
quintas-feiras para manifestações artísticas de caráter
experimental ou alternativo), Cinemax (que promove a exibição comentada
de filmes nacionais em película ou vídeo), Escadaria (que utiliza
uma vez por mês as escadarias do teatro como palco para apresentações)
e Encontro com o Artista (debates mensais entre o público e representantes
das mais diversas linguagens artísticas). Todas essas iniciativas demandam cuidado e conscientização para
a preservação do teatro. A última grande reforma do Bacabeiras
durou mais de um ano, entre fevereiro de 2001 e junho de 2002. Foram restaurados
o sistema de refrigeração, a infra-estrutura básica de alvenaria,
as madeiras de revestimento acústico, os espelhos e materiais similares,
os forros de gesso, toda a caixa cênica, as poltronas, os carpetes e o
sistema de som e iluminação. A manutenção é feita
através de pequenos reparos num recesso anual, que acontece sempre em
janeiro, mês em que o teatro sempre fica fechado. Hoje tem se trabalhado intensamente pela inserção no Bacabeiras
de iniciativas de cunho sócio-cultural e parcerias com ONGs que desenvolvem
projetos na área da cultura, como cineclubes, clubes de atores e entidades
ligadas à música. Isso é mais uma prova de que um teatro
não precisa ser antigo para ser o mais representativo de uma cidade.
|