Os
artistas matogrossenses são os expositores e o centro
histórico de Cuiabá é a galeria. A exposição “Panorama
das Artes Plásticas em Mato Grosso no Século XX” traz
obras de pintores e escultores do Estado para diversos espaços
da parte antiga da capital. Lugares como o Stúdio Centro
Histórico e o Bar do Bugre recebem obras de nomes célebres
da arte moderna em Mato Grosso, como Ignês Maria Corrêa
da Costa e Clóvis Irrigaray, e outros de uma geração
mais atual como Marcelo Velasco e Vander Melo.
Não é a primeira vez que as artes plásticas
matogrossenses são dissecadas dessa maneira. Mas nunca se
tinha feito uma exposição desse tipo para a arte
local do período moderno e contemporâneo, uma das épocas
mais férteis no Estado. “O modernismo surgiu aqui
em Mato Grosso nos anos 40. De lá para cá, foram
várias safras de artistas. As que se destacaram mais foram
um grupo nos anos 80 e um outro que surge na década de 90.
Cerca de 80% dos artistas que estão sendo mostrados nesta
exposição não participaram de outros panoramas”,
conta o pintor Gervane de Paula, organizador da mostra.
 |
“Casamento
em Santo Antônio”, de Ignês Maria Corrêa
da Costa (1974)
|
E
essas gerações estão divididas nos vários
espaços da mostra. A sede do Instituto Nacional do Patrimônio
Histórico (IPHAN) recebe as obras dos pioneiros do modernismo,
da geração que vai dos anos 40 aos 70. É o
caso de Ignês Corrêa da Costa (a única artista
já falecida entre as que têm obras expostas), Dalva
de Barros e Clóvis Irrigaray. No Stúdio Centro Histórico
estão os artistas da geração dos anos 80,
como Adir Sodré, Gervane de Paula e Benedito Nunes. No antiquário
Cuiabá Antiga, o destaque são as obras dos artistas
dos anos 90 e 2000. Ao ar livre, na Praça do Centro Histórico,
estão algumas esculturas de Antônio Pereira Silva,
o Citó. O Bar do Bugre abriga pinturas de Jonas Barros e
o Salão Euzébio, esculturas de Citó e pinturas
de Adir Sodré.
Entre
uma maioria absoluta de pintores, aparece um senhor com cerca
de 80 anos.
Plínio de Moura, o Mestre Plínio,
mais antigo artesão de Cuiabá e único ceramista
que participa da mostra. Ele é o que chamam de “santeiro”,
faz imagens de santos. Algumas delas estão expostas nos
espaços da mostra.
 |
“Ano
Internacional das Crianças”, de Gervane de
Paula (1979)
|
Características – No período retratado pela
mostra-panorama, a linguagem artística mais representativa
produzida em Mato Grosso foi, de fato, a pintura. Alguns pintores
matogrossenses ganharam renome nacional, como Ignês Corrêa
da Costa e Clóvis Irigaray. Tudo por conta de uma característica
herdada dos ícones modernistas, mas com uma certa licença
artística: o regionalismo sem ufanismo. Nas telas de artistas
matogrossenses, se percebem imagens da cultura local, mas sem exageros
ou estereótipos. “Nas artes plásticas matogrossenses,
você não vê jacaré de boca aberta ou
tuiuiú. Os artistas trabalham o regionalismo com um sotaque
universal”, explica Gervane de Paula.
Essa
mistura de tradições e universalidade é o
uma das coisas que une as obras em exposição. “Os
artistas que integram a coletiva estão ligados um ao outro
pela qualidade e a cumplicidade de suas criações”,
acrescenta o coordenador da mostra. E com toda essa história
das artes plásticas matogrossenses sendo redescoberta, quem
ganha é o público que vê a linha do tempo caminhar
através de pinceladas. "Esta exposição é um
presente para toda a comunidade artística de Cuiabá e
também para a população, que pode acompanhar
de perto a história da cidade retratada pelos artistas locais”,
afirma Gervane.
Serviço – A mostra “Panorama das Artes Plásticas
em Mato Grosso no Século XX” fica em exposição
até o dia 17 de janeiro, em diversos espaços do centro
histórico de Cuiabá. A entrada é grátis.
|