Em
pleno ciclo do algodão maranhense, os padres carmelitas de
São Luis atentaram para um curioso ato de profanação.
A planta original do que seria o primeiro teatro do estado, que
previa a fachada voltada para o Largo do Carmo - uma praça
em frente à Igreja do Carmo -, era considerada uma afronta
aos valores da Igreja. O apelo dos carmelitas surtiu efeito e a
construção do teatro foi transferida para a rua do
Sol.
Nascia
assim o Teatro União, inaugurado em 1º de junho de 1817,
dois anos após a inclusão do Brasil ao Reino Unido
de Portugal e Algarves, fato que originou o nome do prédio.
O projeto era grandioso. Na época, São Luis era a
quarta maior cidade do Brasil e os 800 lugares do teatro representavam
5% da população local.
Em
1852, o Teatro União passaria a se chamar Teatro São
Luíz e, em 1854, serviria de berço para Apollonia
Pinto, filha de uma atriz portuguesa que entrou em trabalho de parto
em pleno teatro. No camarim número 1, nascia uma das grandes
atrizes do teatro brasileiro, que já aos doze anos encantava
platéias com a peça "A Cigana de Paris".
Este mesmo ano é marcado pelo primeiro baile de máscaras
de São Luís, à época um evento de grande
repercussão.
O
nome definitivo, Theatro Arthur Azevedo, viria na década
de 1920 em homenagem a um importante teatrólogo maranhense.
Desde então, o lugar enfrentou momentos de crise e chegou
a funcionar como cinema, além de sofrer restaurações
que acabaram por descaraterizar alguns de seus elementos. Na década
de 1960, o governo do estado põs fim ao contrato com a empresa
cinematográfica que o havia arrendado.
Reforma
e descuido
Em 1991, o teatro passa por uma grande reforma, feita a partir de
pesquisa histórica por uma equipe mista composta de profissionais
baianos e maranhenses. A intenção era reconstituir
os detalhes originais, aliados a uma modernização
do palco, restauração da platéia e construção
dos anexos, onde passaram a funcionar a parte administrativa e a
de serviços. Reinaugurado no final de 1993, o Theatro Arthur
Azevedo recebeu a soprano espanhola Montserrat Caballé e
óperas do coreógrafo Vaslav Nilinsk.
Em
matéria sobre o teatro, o jornal americano "The New
York Times" o destaca como o melhor da América Latina
e um dos mais bem equipados do mundo. Mesmo assim, o lugar precisou
fechar as portas dez anos depois da reforma, por conta de sucessivos
problemas em sua estrutura.
O
descuido da administração pública começa
a ser sanado agora, com uma licitação em andamento
para uma nova reforma, concorrida por duas empresas. As propostas
técnicas já estão sendo analisadas, e a previsão
é de que em fevereiro seja iniciada a reforma, estimadam
pela direção do teatro em oito meses. Talvez seja
possível, ainda em 2004, admirar a beleza e grandiosidade
desse importante marco na história da capital maranhense.
Vale a pena esperar.
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