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Redação: Portal Amazônia

Foto: Flavya Mutran
TEATRO

Requinte e sofisticação ao alcance de todos

O Theatro da Paz abre a série de matérias sobre os principais teatros da Amazônia. Depois de quase 125 anos, o teatro continua sendo um dos principais símbolos culturais do Pará

Não é novidade para ninguém que o Theatro da Paz é um dos mais belos e luxuosos do Brasil, e símbolo de um dos momentos mais importantes da história do Pará: a Era da Borracha. No entanto, poucos sabem sobre sua origem e o que ele representa artisticamente na história do Pará. São quase 125 anos de existência, e muito aconteceu desde então: vários espetáculos memoráveis e inúmeras reformas que fazem o teatro atravessar gerações.

O teatro foi inaugurado em Belém no dia 15 de fevereiro de 1878 com o nome de Theatro de Nossa Senhora da Paz. Na ocasião, foi apresentado o drama "As Duas Órfãs", do escritor francês A.D'Ennery. Os principais frequentadores da casa ansiavam pela inauguração. A abastada aristocracia e burguesia paraense enriquecida pela exportação da borracha havia perdido um dos únicos espaços reservados a apresentações artísticas na capital, o teatro Providência.

Foto: Flavya Mutran

A espera durou quase dez anos e não foi em vão. A magnífica arquitetura do Theatro estava finalmente à altura dos barões e baronesas da borracha. Crônicas da época chegam a chamá-lo de "um monumento de d'arte". No entanto, a programação artística deixava a desejar. Durante quase dois anos o espaço foi utilizado para a apresentação de grupos mambembes, de farsas, dramalhões e bailes. Estes ficaram famosos por serem as melhores festas da província.

Foi graças ao primeiro baile de máscaras, em março de 1878, que a igreja católica paraense anunciou a sua insatisfação quanto ao nome do teatro. O bispo Dom Antônio de Macedo Costa não gostava da idéia do nome de Nossa Senhora estar estampado na fachada e por isso o teatro passou a se chamar Theatro da Paz.

Apenas no final do século XIX as grandes companhias de ópera, canto e balé chegaram ao Theatro da Paz. Em 1880, a Companhia Lírica Italiana de Tomas Passini apresentou Ernani, de Verdi, sob a regência do renomado maestro Enrico Bernardi. E assim iniciou-se a grande tradição lírica do Theatro da Paz.

A partir daí grandes maestros, óperas, orquestras e balés estiveram no palco do teatro, sempre entre uma reforma e outra. Em 1887 a primeira grande mudança aconteceu. O teatro que era antes decorado com modéstia ganhava novo projeto para seu interior. O artista italiano Domenico de Angelis foi contratado pelo governo provincial para decorar a sala. Foi ele que projetou a pintura do teto, onde se vê Apolo, deus das artes e da poesia, conduzido por um carro puxado por cavalos, rodeado por musas, entrando na Amazônia.

No entanto, a mais importante foi executada em 1904, quando o teatro foi completamente transformado de acordo com os padrões da belle époque (1890 a 1914). A fachada foi recuada e foi tirada uma das sete colunas da arquitetura original do prédio. O prédio passou a ter seis saídas ao invés das três originais. Portas e pisos foram refeitos com madeiras nobres da região e os pisos redesenhados em forma de mosaico. O teatro ganhou ainda os belos lustres de cristal do hall de entrada, da sala de espetáculos, do salão nobre e dos camarotes, que deram luxo, brilho e requinte à casa.

O teatro foi reaberto em 1905. A companhia lírica italiana de Donato Rolli apresentou a ópera Tosca, de Puccini, pela primeira vez no Pará. Nos anos seguintes, o teatro deixou de abrigar as grandes companhias. Por volta de 1910, a decadência do ciclo da borracha e da economia paraense impossibilitaram financeiramente a vinda dos grandes maestros e orquestras à capital. O último suspiro das grandes apresentações aconteceu em 1918 com a vinda da companhia russa de balé de Anna Pavlova.

Nos anos seguintes grandes e pequenas reformas foram feitas. Algumas emergenciais, como em 1988, quando foram restaurados os lustres de cristal e o mobiliário. Outras polêmicas, como a que aconteceu na década de 60 com a contratação do artista brasileiro Armando Balloni para realizar nova pintura no teto do Foyer. A última grande reforma foi a de 1999. O Theatro da Paz ficou fechado durante 2 anos e foi entregue mais uma vez ao público paraense com a apresentação de uma ópera, Macbeth, de Verdi, foi a escolhida.

Em 1963, o teatro foi tombado pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), para preservar este prédio, que é um dos mais importantes da arquitetura e do imaginário paraense. E se antes desfrutar do Theatro da Paz era um privilégio dos ricos da capital, hoje seu espaço é mais democrático. Shows e apresentações líricas têm preços acessíveis e pessoas de todas as classes podem frequentar o teatro.


 

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