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Foto Elielton Amador
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Deus salve os reis da implicância

Por Elielton Amador

 

Depois da festa de lançamento da coletânea Bel Rock II, escrevi um texto para esta coluna fazendo críticas à organização do evento. Não porque eu tivesse sido agarrado e colocado para fora da Zeppelin por um segurança, de forma injustificada. Houve mesmo muitas faltas para com as bandas autorais que ali se apresentaram. Recebi críticas e fui auto-crítico mesmo antes de publicar a coluna. Enfim, achei que não valeria a pena “detonar” o evento já que ele teve o mérito de expor a cena emergente na cidade para um público quase sempre receoso.

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Porém, depois de chegar de Goiás, onde tive a oportunidade de cobrir a nona edição do Goiânia Noise, pude ver ainda mais o quanto a organização do Bel Rock foi mesmo falha – a despeito da participação insuspeita do empresário Ná Figueredo, grande apoiador da cena paraense.

Basta este registro. O que quero mesmo é reportar aos leitores interessados no cenário musical paraense um pouco do que presenciei em Goiânia, onde hoje se faz um dos maiores festivais do rock independente brasileiro. As pessoas que fazem aquele festival há quase dez anos, são legítimos da cena. Gente que vive e sabe o que está fazendo. Um exemplo a ser seguido. A organização foi impecável e a qualidade técnica do evento foi das melhores. Bandas que nem sempre nos chamam a atenção em disco mostraram excelentes performances ao vivo, como Walverdes, Hang The Superstars, MQN, Autoramas, Retrofoguetes e outras.

Até o ano passado o Noise e o Bananada, os dois eventos realizados pela Monstro Discos, eram eventos de pequeno porte, mas chamaram mais atenção da mídia nacional do que os grandes realizados pela Prefeitura de Goiânia, por exemplo. Com dificuldades quase tão grandes quanto os paraenses têm com patrocínio e incentivo oficial, o pessoal da Monstro fez crescer os olhos dos produtores culturais da Prefeitura de lá. Tanto que este ano teve o evento foi incluído nas festividades oficiais em comemoração ao aniversário da cidade, recebendo recursos diretos sem necessidade de lei de incentivo.

Não somente jornalistas mas também produtores independentes de todo o Brasil foram à capital goiana para conferir mais que a performance arrasadora dos japoneses do Guitar Wolf. Gente como Marcelo Domingues, que produz o festival Demo Sul em Londrina, e o produtor baiano Big Bross estavam por lá. Conversando com essa gente soube, por exemplo, que Lei de Incentivo em Londrina não precisa mais do patrocínio dos empresários. Projeto aprovado pela lei municipal recebe a renúncia fiscal direto do Município.

Nos parece mais correto do ficar na dependência de empresários têm mais interesse em evidenciar sua marca do que investir em propostas artísticas inovadoras ou criativas. Nosso prefeito, Edmilson Rodrigues, disse durante a última cerimônia de entrega das cartas da Lei Tó Teixeira que ao emitir documentos para que empresários patrocinassem os projetos estaria criando uma cultura de incentivo. Isso não acontece na prática. Vários projetos da Lei Municipal de Incentivo, como também na Lei Semear, têm a validade de sua carta expirada sem que os produtores consigam o apoio necessário para a liberação do dinheiro.

Vários artistas e produtores que passaram (ou passam) por essa situação. O que esse modus operandi acaba criando é uma política viciosa de patrocínio. Grandes empresas apóiam sempre na mesma linha de projetos “comerciais” (tradicionais?). Se os técnicos das leis de incentivo são as pessoas aptas a avaliar a qualidade e a importância dos projetos, por que ficar na dependência de empresários que pouco ou nada entendem de produção artística?

Outro dia li que o ministro Gilberto Gil vai propor novas regras para as leis de incentivo, provavelmente com contrapartida dos ditos mecenas equivalente à renúncia fiscal do governo. É o mínimo que as empresas podem fazer, na minha opinião.

Lembro de outro fato, que em outra circunstância teria grande repercussão, mas que manteve espantosamente a imprensa paraense calada: durante a abertura da última Feira Pan Amazônica do Livro, o secretário Paulo Chaves, da cultura, reclamou ao governador Simão Jatene que não pôde usar o benefício da Lei Semear para arrecadar recursos para fazer a feira. Chaves se vangloriou de ter conseguido da Rede Celpa mais dinheiro do que conseguira no ano anterior com o citado benefício. Ora, Paulo Chaves só confirmou o quanto era equivocado que a própria Secult usasse a Lei Semear para seus projetos. A Rede Celpa ganha muito dinheiro dos paraenses. Já teve incentivos suficientes. Tem mais é que investir em projetos importantes para o desenvolvimento cultural do Estado, mesmo. E sem Lei de Incentivo.

Com mais um ano eleitoral se aproximando, a questão deve voltar à tona.Que não se perca a oportunidade de mudar essa história de atraso cultural. Fica o bom exemplo do Noise goiano.

OBS: Para quem esperava uma resenha descritiva do Noise 2003, acesse www.cybergoias.com . A cobertura do Site foi muito boa.

:::MADAME:::

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Ainda não pude apreender muito bem a música do Madame Saatan em disco. Tive o privilégio de receber uma demo pré-mixada com três músicas, antes do lançamento oficial. Talvez o disco completo dê uma noção melhor do que é o som da banda. Mas uma coisa é certa, o show do MS é o melhor espetáculo rock de Belém. Eles confirmaram isso na noite da última sexta-feira 22, durante o show “Elos por elas”, do qual participaram ainda as bandas A Euterpia, Lady Bel e Santo Graal, na Estação Gasômetro.

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