Luz chega ao campo com renovação e inovação

Fontes renováveis e cartão de consumo pré-pago fazem parte de um projeto energético inédito no interior do Pará

Os moradores da Vila de São Tomé, do município de Maracanã, nordeste do Pará, são os primeiros beneficiados de um projeto energético inédito no Pará. Graças a uma parceria entre o Centro de Pesquisa da Petrobrás (CENPES) e a Universidade Federal do Pará (UFPA), a comunidade vai ser totalmente abastecida por energia elétrica através de fontes renováveis.

O projeto “Luz para São Tomé” é executado a partir de um sistema híbrido que utiliza elementos como diesel, luz e vento para a geração de energia elétrica. Em São Tomé, cerca de 40 famílias estão sendo beneficiadas pela parceria que implantou na região um sistema de consumo pré-pago. O consumo pré-pago funciona inicialmente com a aquisição de cartões de R$ 12,00 que garantem a compra de 30 kw e que são inseridos em um gerenciador, instalado nas residências, que monitora o consumo de energia elétrica e avisa ao usuário a hora da compra de um novo cartão.

Os técnicos da UFPA e do CENPES estimam que para as famílias de São Tomé, um cartão dure cerca de quatro meses. A longa satisfatória dos cartões é um dos objetivos alcançados pelo projeto que pretende abastecer comunidades que habitam locais de difícil acesso, utilizando ao máximo os recursos naturais e a mão-de-obra local. Além de mostrar a viabilidade dos modelos pré-pagos de energia e sua aplicação em outras regiões.

Os técnicos do projeto também estão desenvolvendo tecnologias de produção, armazenamento e venda de energia para uso doméstico. O diferencial desse armazenamento é que os vetores energéticos utilizados não são petróleo e nem os derivados dele.

Inicialmente o projeto “Luz em São Tomé” utiliza a força dos ventos, o calor dos raios solares e os geradores convencionais a diesel. Mas os técnicos estimam que em uma fase posterior do projeto, já possa ser utilizado o biodiesel na geração de energia.

O biodiesel é a evolução de uma tentativa que queria substituir o óleo diesel por biomassa e é gerado pelo aproveitamento ‘in natura’ de óleos vegetais encontrados em plantas como babaçu, mamona, soja e dendê. Diferentemente do diesel tradicional, é livre de enxofre, que é o principal agente poluidor do óleo tradicional e demora pouco tempo para ser elaborado. No Brasil, seu uso passou a ser cogitado na época do Proálcool e figura como uma alternativa diante do alto preço do petróleo internacional e das oscilações do dólar.

Apesar de ser uma fonte renovável e barata, o biodiesel ainda não é produzido em larga escala no Brasil. Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia, o país importa cerca de 18% do diesel que consome e apenas o óleo de soja é produzido em escala industrial. O Sul e Centro-oeste brasileiro produzem juntas 40 milhões de toneladas de óleo de soja por ano, número que não é suficiente para atender a demanda da industrial brasileira.

Além do biodiesel, outras fontes renováveis de energia que atendam a um modelo de desenvolvimento sustentável estão sendo testadas no Brasil. Em alguns estados do Nordeste, como o Rio Grande do Norte, estão sendo elaborados mapas dos ventos. Esses mapas identificam os locais com potencial para a produção de eólica. Até agora, foram identificados 18 pontos de coleta de dados.

No caso do biodiesel, a implementação de um programa, gera além de benefícios ecológicos, oportunidades para o fortalecimento de benefícios sociais como a valorização e promoção do trabalhador rural e aumento da demanda por mão-de-obra especializada no beneficiamento de óleos vegetais. Seu uso é indicado tanto para a geração de energia elétrica, como o caso do projeto “Luz em São Tomé”, como para a aplicação em motores a diesel tradicional, já que não requer adaptação como os motores movidos a gás natural e biogás.

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