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![]() Ademar Ayres do Amaral, Engenheiro Civil, escreve para o Portal de Óbidos e para Jornal de Óbidos. amaral@amazon.com.br :: Outros textos ::
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Lulagate?? *Publicado em 2004 na Folha de Óbidos Ademar Ayres do Amaral Custa muito viver-se na política, aqui em Óbidos, porque tem-se muitas vezes de tapar o nariz. Inglês de Souza / O Coronel Sangrado
Devido as inúmeras tarefas e compromissos profissionais de fim de ano, eu já havia decidido não escrever, este mês, a minha colaboração para A Folha de Óbidos. É um tempo de corre-corre que não tem tamanho nem medida, coincidindo também com as atividades que eu menos gosto, mas que por dever de ofício sou obrigado a fazer. Falo de planejamento estratégico para o ano seguinte, análise de mercado, orçamento, essas coisas nem sempre fáceis de elaborar neste país que pouco nos permite avaliar e muito menos planejar com o mínimo de segurança o dia de amanhã. São atividades que me obrigam ficar no escritório mais tempo do que o suportável, e acabam por me afastar do ato solitário e prazeroso de escrever algumas linhas para a minha meia dúzia de leitores. E um caboclo criado livre no Paraná da D. Rosa, trancafiado burocraticamente dentro de uma sala por vários dias, é quase sinônimo de prisão. Sorte que depois vem o Natal, as festas do novo ano, que não tem perspectiva de ser tão novo assim, desembocando em outro Janeiro com a esperança das baterias recarregadas, para começar tudo de novo. O resultado é que dá um branco nas idéias e o melhor mesmo é pendurar a caneta e aguardar um tempo, na esperança de ser contaminado outra vez por algum vírus literário de boa cepa - quem sabe, unzinho de Inglês de Souza? Por falar em Inglês de Souza, reli saboreando cada página de O Coronel Sangrado. E minha opinião definitiva sobre o livro, se resume a uma única palavra: genial. Cá pra nós, o sujeito que é nascido em Óbidos, que tenha pelo menos um primário bem feito e que nunca leu uma linha de Inglês de Souza, pode ser chamado de tudo, menos de obidense. Pois bem. Eu estava lamentando essa falta de assunto, quando uma reportagem publicada na revista Veja me fez acordar pra vida e dar meia volta. A matéria, ou melhor, a denúncia, mostra que gente graúda do PT fez espionagem e espalhou boatos maldosos sobre os candidatos oposicionistas durante a campanha presidencial, a fim de facilitar a eleição do "companheiro" Lula. Li essa trapalhada e logo me veio a lembrança do famoso caso Watergate no longínquo ano de 1972. Pra quem não recorda, o imbróglio começou em Washington, quando prenderam cinco intrusos dentro do prédio Watergate. Eles bisbilhotavam o Comitê Nacional do Partido Democrata, para conseguir informações a serem usadas pelos republicanos, com o objetivo de favorecer a reeleição do então presidente Nixon. Esse incidente, aparentemente simples no início, depois de esclarecido foi considerado um dos maiores crimes políticos da história americana e um acinte aos princípios que regem a democracia. Claro que, naqueles dias, a gente ainda considerava os Estados Unidos como um exemplo de democracia. Hoje, Mr. Bush não tem o menor pudor de mentir e arranjar desculpas esfarrapadas para invadir e intervir em qualquer país, como se fosse um tirano de aldeia. Bom, o fato é que, com o desenrolar das investigações, a invasão do prédio Watergate revelou um complô com total e pleno conhecimento do próprio presidente Nixon. O Jornal Washington Post abraçou a causa e o escândalo foi minuciosamente investigado por dois jornalistas principiantes, Bob Woodward e Carl Bernstein, que descobriram uma verdadeira quadrilha de bandidos dentro da Casa Branca, acabando, por fim, na renúncia do presidente Nixon para se livrar do inevitável impeachment . A vitória da democracia ficou na memória da minha geração, na foto inesquecível do "chefe" em todos os jornais do mundo, dando um adeus patético do helicóptero, a caminho de casa e do ocaso. Os dois jornalistas, hoje verdadeiros ícones da imprensa mundial, escreveram Todos Os Homens do Presidente, um livro contando tudo, onde revelaram os detalhes escabrosos do caso. Depois o livro virou um filme muito bom com os atores, Dustin Hofman e Robert Redford, mas parece que alguns aqui por esses lados ainda não aprenderam a lição. Agora vem a revista Veja e faz essa denúncia de outra trama antidemocrática envolvendo gente graúda do PT, membro do Ministério Público pelo meio, ministro, fitas misteriosas e reveladoras sumidas da Prefeitura de Santo André, juizes corruptos e pessoas de alto coturno que circulam no dia-a-dia do Palácio do Planalto. Aparentemente outra simples historinha, mas que pode ser a ponta de um grande novelo que deveria ser também minuciosamente desenrolado através de uma grande investigação. À moda de Nixon, Lula sabia e teria autorizado tudo um ano antes da campanha, recomendando cuidado para "não acabar numa história de Joaquim e Manuel". Claro que após a reportagem, e à semelhança do caso Watergate, houve logo os tradicionais desmentidos pela imprensa falada e escrita, das pessoas citadas na matéria. Nada a estranhar. Toda bandalheira que se preza, começa sempre com desmentidos e pessoas se dizendo inocentes, enquanto a investigação vai tomando corpo. Sendo verdade tudo o que a revista conta, é bomba com potência de muitos megatons. Mas haverá algum interesse na verdade? A troupe de paulistas que realmente governa o país e que transformou o "companheiro" Lula numa simples figura decorativa, há muito já abandonou todas as idéias que sempre pregou, dando uma violenta guinada à direita, para desespero de alguns petistas históricos. Sendo assim, é mais do que provável que a possível sujeira seja logo amaciada pela tropa de choque do governo, agora apoiada em seus novos aliados da direita mais tradicional, ou seja, a mesma direita que comia e babava na cozinha da ditadura militar. No livro, A Revolução dos Bichos, obra clássica de George Orwell, a liderança comandada pelos porcos acabou negociando com os inimigos, e os outros bichos, coitados, não conseguiam mais saber quem era na verdade porco e quem era homem. Não é igualzinho? Nada mesmo mudou, os novos atores de hoje namoram a direita, mas continuam na pose de esquerdistas, fumando tranqüilamente um bom charuto cubano e lambendo as botas do ditador Fidel Castro. A pizza, dessas tamanho família, já deve estar encomendada. E viva o Brasil !! |
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