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Alessandra Gorayeb, 
16 anos, estudante (conveniante). Amante das palavras, apenas. Prosas como escape do cotidiano. Ou hobby, ou apreço.
alegorayeb@hotmail.com
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"Você é uma pessoa de verdade?"

Alessandra Gorayeb Martins

A tecnologia avança. Assusta. Chega a “catequizar” pessoas a um nível assustador. Arrasador. Chega a exigir comportamentos, aceitações, transformações pessoais. Virtuais. Uma nova moda que resume tudo é o Orkut. Não é propriamente uma moda. Pode-se dizer que uma provação para quem quer ser conhecido. Populares que se prezem. Estão submissos ao novo critério discriminador. Entre no orkut e dê de cara com seu primeiro desafio: “Quem você conhece?”.

Orkut é popularidade, é elitista. É bem aceito quem convence os outros com seus números graúdos. Quanto mais “contatos”, melhor. Um “fã” a mais é uma dívida a mais. Nada se ganha tudo se troca. São interesses que se confrontam para uma melhor aceitação.

Basta o tempo da familiarização com o novo mundo e a liberdade é guardada na gaveta. O “catalogo de pessoas” fascina e hipnotiza. A mente, agora esta ocupada em aumentar sua rede; em vasculhar, nas prateleiras, contatos interessantes. Aumentam os números. Aumenta-se o status. Intensifica-se a dependência.

Os perfis devem ser básicos e atrativos. As pessoas criam suas identidades. Sua veracidade não é contestada. O que conta, são os números. A partir deles se dá a escolha. Até que se descobre as comunidades. A liberdade de expressão é prezada (desde que seja sem danos morais...)

Borbulham comunidades. Sejam carentes, (que precisam de membros); sejam auto suficientes, voltadas para intrigas, curiosidades, filosofias. O fascínio é maior. O orkuteiro se prende mais, a cada clique do mouse. Vai se tornando popular. Vai perdendo o medo do novo.

Ao se sentir aceito, o desejo de propagar suas idéias – já moldada pela nova realidade virtual e quantitativa – é fermentado. Clica-se, então em “criar comunidade”.

A mente fervilha de idéias mirabolantes para serem atrativas. Afinal, este será o último passo para a “real” criação da nova identidade. Será que minha comunidade vai crescer?”. Números, contatos, influência, interesses, escolha, popularidade. Tudo serpenteia pela mente do futuro gerenciador. Todo o nosso virtual cegou seus olhos para a pergunta que brilhara na tela: “Você é um pessoa de verdade?”.

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