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![]() Alessandra Gorayeb Martins, 16 anos, estudante (conveniante). Amante das palavras, apenas. Prosas como escape do cotidiano. Ou hobby, ou apreço. alegorayeb@hotmail.com www.fotolog.net/alegorayeb
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As dores de um mês que passa Alessandra Gorayeb Martins 31 de julho de 2004
Ai... Como tem doído o meu peito... Dor esta que me faz ver tudo de outra forma. Na verdade, tudo tem estado de outra forma para mim. Nunca vivi um mês com tantos pesares, parece que tudo está de costas. Ai, essa dor... Sinto como se uma nuvem negra estivesse pairando sobre mim todo esse tempo. Dela sai uma tempestade com seus raios e trovões, faz seus estragos, aí vem o vento e a afasta, começo a sentir o sol esquentar novamente minha face, o vento muda de direção e o solavanco de ar frio, tempestade e tristeza me invade novamente. Eu preciso desabafar, falar pra alguém sobre toda a dor que sinto, preciso dizer que sofro pelo término de um namoro, o falecimento do meu avô, a transformação de um sonho prestes a se tornar realidade em uma longínqua possibilidade, as dúvidas que me atormentam mas que não envolvem só a mim, o arrependimento por uma decisão precipitada, que só se consertará daqui a um ano, o pensamento em estar causando dor a alguém e saber que em breve causarei em outro alguém... Quero gritar, preciso falar! Sinto o ar abafado ao meu redor, olho pra lua e sei que há vento por aqui, mas ele se desvencilha de mim e minha visão nubla por algum motivo. Uma gota?! Não, não pode... não sou digna de mais uma lágrima. Elas já secaram. Queria um ombro amigo, não um amigo, um ombro que me console, me dê carinho, atenção. Estou carente, não devo, mas estou. Não falo mais. Os amigos que me aparecem não merecem ouvir meu sofrimento. Pessoas que me “querem bem” me condenam pelas lágrimas, me acusam, duvidam da força que me resta quando digo “não vou voltar atrás porque nunca vou esquecer”. Ainda quero gritar. Tem algo preso aqui dentro... sinto que quer fugir, sinto seus pulos para sair da minha garganta e entrar no ouvido de alguém... É um tal de “eu te amo” um moleque que quer sair sem destino, que com sua lábia me faz sentir que amo, mas com sua molecagem não me diz a quem. Ele apenas quer sair. Sim, estou carente. Pior que um amor não correspondido é o amar sem saber a quem. Minhas pálpebras estão duras. Secas. Salgadas. Sinto que tanto tempo de desejo se esvai por palavras de inveja. Palavras venenosas. Lascas de palavras que jorram da boca de alguém que “me quer bem”, entram pelos meus ouvidos, escorrem pelo meu corpo e perfuram meu coração. Procuro respostas. Procuro caminhos. Procuro uma saída das profundezas desse mar para poder respirar novamente. Preciso de ajuda, preciso de um ombro, de um abraço, de um beijo, de um amor. Assim só que poderei novamente falar de mim, lutar por mim, acreditar em mim. Não dependo de um amor, não dependi nem dependerei. Quero apenas me encontrar, achar meus caminhos, minhas respostas. Me olho no espelho obscuramente. Vejo olhos secos, pálpebras inchadas, pele marcada. Vejo um desejo sem destino. Olho para o céu, para a lua. Ela não me ajuda no momento. Apenas brilha e diz “siga em frente”. Agora se esconde novamente. |
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