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Alessandra Gorayeb Martins,
16 anos, estudante (conveniante). Amante das palavras, apenas. Prosas como escape do cotidiano. Ou hobby, ou apreço.
alegorayeb@hotmail.com
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A Luz artificial

Alesssandra Gorayeb Martins

08 de fevereiro de 2005

 

“Você não está me entendendo!” – mas um que virava as costas e ia embora. E eu sempre recebera “costas” como resposta para tudo, afinal, eu nunca era capaz de entender nada. Tão repetitivo – instintivo, talvez – este ato se tornou para as pessoas, que, finalmente, comecei a acreditar que era eu o errado nesse mundo. Era como se andasse em círculos esbarrando nas pessoas, ou na ética (lê-se: etiqueta) propriamente dita.

            E todos os dias transcorriam nos conhecidos esbarrões nas normas celestiais vindas diretamente do Olimpo, conhecidas profundamente por meus irmãos supremos. No transcorrer dos dias, os irmãos iam me apresentando à ética, me levando aos socos e pontapés através do seu caminho de tijolos amarelos. Eu era um vil graveto na profusa correnteza de águas “puras e transparentes” do paraíso verdejante do Éden.

            Os solavancos eram de grande intensidade e, em torvelinhos, eu seguia a reta esculpida como um guia aos desgarrados – e lá estava eu, solitário porque já menti, porque já chorei, já desisti, fugi, caí e, acima de tudo, amei. A ética não permite sentimentalismo, a não ser em um altar “até que a morte os separe”, diz a teoria – ou até que a barriga semeada precocemente libere um fruto do pecado (e não do amor), diz a prática.

Para eles, o sentimento segue a ética porque são capazes de controlar tudo. Eu já me perco em meus próprios pensamentos, me encontro preso em complexos, em fobias. E só os patamares mais baixos da hierarquia suprema se, deixam levar por tais fraquezas. Enquanto meus irmãos deuses não amam e casam por convenção; me perco em palavras, desvio o olhar e tenho um coração que ameaça saltar quando, simplesmente, uma determinada presença se dá.

E quando me torno ridículo, ando aos tropeções, me perco em palavras erradas ou calo por enxovalhos, nunca avisto uma só alma que já tenha, como eu, sido vítimas de olhares, ou comentários, ou situações desmerecedoras. São superiores e já se confundem com a “luz” da ética. Enquanto eu, desgarrada mariposa, vôo em círculos, em alto e baixos, titubeando e dando de encontro com paredes em vãs tentativas de me aproximar do que é luz. Luzes que se mostram artificiais a mim. Eles já são luzes. E eu ainda as busco, e procuro por meu caminho em linha reta, de tijolos amarelos. 

 

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