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Fernando Favacho,
Advogado, pós graduando em direito e processo tributário na PUC-SP, caseiro "ad hoc" do Nowhereland.
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O fim da doce espera

Fernando Favacho

No início do milênio entramos na Era da Velocidade. Queremos internet banda larga, hambúrgueres com entrega em segundos, Sedex 10, vôos sem escalas, o fim das filas com o débito automático... Contudo, nos últimos cinco anos, aprenderam os cinéfilos a saborear a doce espera do fim das sagas de ficção.

Não esqueço que antes já existiam sagas. O Poderoso Chefão, que de três filmes pegou duas estatuetas, um monte de horas do pesadelo e sextas-feiras 13, voltas para o futuro e, como não lembrar, o início do cinemarketing: Guerra nas Estrelas.

Acontece que as sagas foram exibidas em épocas diferentes umas das outras, e o debate era restritíssimo a uma comunidade, como os viciados em Conan, trekkers e cavaleiros Jedi. Enfim, precisava ser muito nerd, e tentava-se aprender com o roteiro das histórias... mais ou menos o que seminaristas fazem com a Bíblia. (E, se formos sair do cinema, temos os viciados em Rei Arthur, Isaac Asimov, o livro Senhor dos Anéis... gente que conhece mais o mundo fictício que o nosso, com certeza!) No início do milênio, ser um Esperador virou um hobby muito mais abrangente, e os comentários às obras viraram um mero apêndice.

Nesses últimos anos foi muito diferente. A graça não era só em tentar saber se o canceroso era pai do Mulder, mas em esperar. Esperar não necessariamente para ver o que vai acontecer... Todo mundo sabia que o Anakin Skywalker ia virar o Darth Vader ou que o Harry ia ganhar as partidas de quadribol.

E olha que nem sempre “valia a pena”, pois muita gente se decepcionou com o final de muitas sagas. Por isso que a graça era esperar, era como uma aposta aonde o resultado em si não é tudo, mas uma parte da diversão. A outra era ficar aguardando, enfrentando filas – sim, e enormes – para assistir à estréia (a única sessão que vale a pena para o Esperador), vendo trailers, lendo críticas de quem já viu e evitando spoilers.

Mas agora acabou. Não tem mais Senhor dos Anéis, Kill Bill ou Matrix. Posso estar sendo medíocre e nostálgico, mas o que fazer se só sobraram os mais infantis: Harry Potter e, talvez, Desventuras em Série? O doce mesmo foi embora: esperar é um verbo transitivo, e a “alguma coisa” chegou com o Episódio III – A vingança dos Sith. Infelizmente. Que falta faz nas nossas vidas não ter o que falta!!

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