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![]() Fernando Favacho, Advogado, pós graduando em direito e processo tributário na PUC-SP, caseiro "ad hoc" do Nowhereland. favacho102@hotmail.com
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Comédias da Ditadura Fernando Favacho 17 de julho de 2004
O
texto a seguir é dedicado à Patrícia Fermina Daza, uma pessoa
indescritível, invendável e imprestável. Criou uma comunidade no
Orkut chamada Brasil Nunca Mais, sobre os tempos do AI-5. Aloralorinterior O cronista mais legal do Pará foi o Chembra. Morou na Av. Nazaré, e ficava revoltado com isso, especialmente porque encontrava seus textos datilografados cheios de titica ("passarinho metido a crítica literária, aí já é demais"). Grande contador de histórias, lembro ter lido que, nos tempos da ditadura, não havia programa de rádio com mais audiência que o Alô Alô Interior. - Aloralorinterior! Dona Maria Aparecida, de Cametá, pode preparar o mapará com açaí! Bota água no feijão que seus netos estão chegando! O locutor mandava recado para toda a comunidade. Adorava uma brincadeira. E, como dizem, o homem morre pela boca: um dia desses, passando o recado de que João Milico estava passando mal e logo iria chegar a Belém, comentou: -Olha essa! É a primeira vez que vejo "milico" passando mal! O
locutor passou o resto do regime na cadeia. *** The gunners´ dream Eu poderia dizer que ele é fundador do PT, foi militante preso e torturado da ditadura e ainda foi correspondente da Guerrilha do Araguaia. Mas, para descrever o que já se passou na cabeça por trás do bigode de Eufrazino do meu amado tio Bosco, basta um comentário do Babá: - Bosco, o teu problema é que tu és muito radical! Meu pai, médico e excelente lançador-de-granada do exército (atualmente, de pedra-na-mangueira), dormia preocupado com o irmão intelectual comunista que tinha. Tanto é que acordou assustado um dia. Sonhara ele que em uma operação militar, tinham encontrado um "aparelho" onde estava seu irmão. O exército foi preparado para matar e era meu pai que estava com a morte nas mãos. -
Atira a granada! - ordenava o seu superior. - Joga! JOGA! ATIRA!! Acordou. Tempos depois, contou o pesadelo para seu irmão que, seguramente, comentou: -
Nosso senso de dever é muito grande; eu sei que você ia atirar. -
Irmão... eu te perdoaria. |
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