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![]() Luly Mendonça, Publicitária, estudante de jornalismo, cronista e colunista dos sites paidegua.com.br e Portal da Cultura. lulymendonca@terra.com.br
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Carta
a quem se ama: gramática do amor Meu
amor, Estive
pensando sobre a nós ontem à noite. Pensando que, pela primeira vez, eu
realmente tenho dado muito mais importância aos meus momentos de
felicidade, a esse amor que tenho sentido do que às pequenas coisas, às
pequenas bobagens. Não que bobagens não passem pela minha cabeça.
Infelizmente quanto mais a gente se apaixona mais bobagens tentam
desesperadamente invadir a mente. A diferença é que elas tem ido embora
na mesma velocidade que chegam. Eu as chuto pra fora, elas somem e me
concentro no que há de melhor em nós: nós. Nosso amor é cheio de
interjeições, e ainda bem, não sobra espaço para conjunções
adversativas invadirem nossa sentença. “Onde
há muito sentimento, há muita dor”. Da Vinci até poderia ser taxado
de pessimista. Mas seu pensamento é simples. Quando estamos nesse estado
de paixão nossa preocupação com o outro redobra, nosso medo aumenta, a
sensação de estar assim tão vulnerável a esse sentimento nos deixa
sensíveis e conseqüentemente, deixa o coração aberto e frágil demais.
Mas, tenho aprendido - e colocado em prática - que a dor não deve nunca,
nunca andar lado a lado com o amor. Não! Amar não é sofrer mesmo. Amar
deve ser monossilábico, não pode ser separado, não, não... É oxítona
terminada em ar: aproveitar, vivenciar, apaixonar, tentar. Lembro-me
de toda aquela semana na qual a gente tentava se encontrar por meio das
mensagens telefônicas, de toda aquela agonia e aquela sensação de estar
vivendo algo tão inesperado com alguém que ao mesmo tempo estava tão
longe e tão perto, e que de repente passou a estar apenas tão perto,
cada vez mais perto. E isso foi ficando tão gostoso, que se tornou
realmente difícil não acreditar em destino. Mas,
o-que-deiabo-é-esso-meu-pai-santíssimo que tem consumido minha alma?
Segundo o Houaiss: AMOR
■ substantivo masculino 2.2
atração baseada no desejo sexual; afeição e ternura sentida
por amantes 2.3
afeição baseada em admiração, benevolência ou interesses
comuns; calorosa amizade; forte afinidade Além
de dar definições mil sobre amor platônico, socrático, cortês, amor
livre, amor físico. Relaciona-o com religião e até paganismo. Mas
quem é esse tal de Houaiss??? Aurélio Buarque de Hollanda era o tio
dicionarista do Chico, e em se tratando dessa linhagem dos Buarque de
Hollanda, tudo bem, tem meu merecido respeito, e mesmo assim eu não
admito que ele coloque em um dicionário a definição para uma coisa como
essa: abstrata, indecifrável e indefinível! Imagina esse tal de Antônio
Houaiss! E daí que ele entrou pra Academia Brasileira de Letras? E daí se ele foi professor,
diplomata, filólogo, lexicógrafo e ensaísta? Eu nem sei o que é lexicógrafo!
E o que ele pensa que sabe de amor pra classificá-lo em itens e subitens,
da forma mais desrespeitosa possível! Para
falar de amor, esqueça a regra gramatical habitual. Amor é um verbo, e não
um substantivo, começa daí. E verbo intransitivo. A gente ama e não
importa a quem, nem precisa de preposição. A gente simplesmente ama. O
amor deve ser sempre conjugado no modo indicativo, e que o tempo seja
presente, mas nunca, nunca no modo imperativo. O amor tem que ser
flexionado na voz reflexiva, nunca na voz ativa, muito menos na voz
passiva, para que o sujeito seja sempre agente e paciente ao mesmo tempo.
O amor é gerúndio e infinitivo ao mesmo tempo! Amando, sentindo,
vivendo, um processo verbal em curso, mas que não se deve situar no
tempo. O amor não é um verbo irregular, nem defectivo, de conjugação
incompleta, não é impessoal. O amor correspondido é um verbo abundante,
que possui duas ou mais formas de valor idêntico. O amor é pra ser
conjugado na segunda pessoa, ao lado de todos os outros verbos que assim
se conjugam: fazer, viver, valer. De grau superlativo, absoluto, comum de
dois gêneros! Advérbio de lugar, tempo, modo, de intensidade, afirmação.
Plural, pronome composto e jamais, jamais, deve-se transformar o amor em
um pronome possessivo, para que, quando ele virar pretérito, possa ser
mais-que-perfeito. Então,
amor, cheguei a conclusão de que o amor é mesmo muito fácil de ser
conjugado e que esse Houaiss não pode saber mesmo mais que nós dois. Se
o teu forte for matemática, a gente soma, multiplica esse sentimento, o
transforma em uma equação, em uma intersecção, eleva ao cubo esse
conjunto infinito. Eu sinto, sei, tenho absoluta certeza, como 2 e 2 são
4 (ainda que na computação possa ser 5) que temos uma química perfeita
que nenhuma lei da física explica – como dois corpos podem ocupar um
espaço ao mesmo tempo – e que não há história no mundo que barre a
nossa, em qualquer espaço geográfico desse planeta, mas principalmente
que o nosso romance é uma escola lírica, um soneto de rimas ricas, uma
epopéia! Pra sempre, todo sempre. Te amo! Clique para comentar >> Comentários |
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