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Luly Mendonça,
Publicitária, estudante de jornalismo, cronista e colunista dos sites paidegua.com.br e Portal da Cultura.
lulymendonca@terra.com.br

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O que eles vão dizer?
Luly Mendonça

Certa vez li num livro que a preocupação com “o que os outros vão pensar” é um reflexo mal desfarçado do que nós mesmos achamos. Não deixa mesmo de ser verdade. Se achássemos normal tirar a blusa na rua, não nos importaríamos com o que pensariam de nós, afinal, como poderiam julgar algo tão corriqueiro? A partir do momento em que hesitamos e a aquela censura passa por nossas mentes, é porque começamos a considerar dentro de nós que os outros estão certos. O medo de ser rotulado vem, porque lá no âmago concordamos com o tal estereotipo.

É aquela história, a gente julga os outros por nós mesmos. E vice-versa. É muito simples basear as atitudes dos outros nas nossas. 'Se eu sou capaz de fazer isso, quem me garante que ele não?'. Esse é a melhor saída pra não se comprometer. Acusamos, desconfiamos, prejulgamos considerando as únicas e mais seguras referências que temos: nós mesmos. O contrário também, a gente faz coisas ou deixa de fazer e já pressupõe  que conseqüência isso terá na vida de alguém! Medo. Essas quatro letrinhas inibem totalmente a capacidade de ser livre!

Quase todo mundo é assim. Sempre, em algum momento da vida, já deixou de fazer ou falar alguma coisa, por causa de terceiros. O mundo escraviza! A TV, os pais, os jornais, dormem e acordam esfregando os preconceitos e pré-conceitos em nós. O que fazer para mudar? Pra se assumir? Como será que fizeram as mulheres para ganhar espaço, pra votar, trabalhar, pra usar calça jeans? Que choque foi para o mundo quando os homens decidiram assumir suas porções femininas? Quando disseram que o amor é para todos os sexos e gostos, quando beijar na boca de alguém do mesmo sexo deveria ser normal? O que será que pensou a primeira mulher a colocar um biquíni fio-dental: `Os incomodados que se retirem`. Imaginem o que ela não deve ter ouvido ao seu redor...

Também, tem o outro lado da moeda. No fundo todos querem se rebelar de alguma forma. Sempre há alguma coisa que queremos fazer e não temos coragem, e por isso estamos sempre esperando que alguém dê o primeiro passo. Nos escondemos atrás de pessoas, transformando-as em ídolos, e muitas vezes sentimos até raiva delas e as condenamos, tudo porque não conseguimos nos dar o grito de liberdade como elas. A admiração e a inveja se separam por uma linha tênue. Às vezes, criticar as atitudes de alguém é apenas um mecanismo de autodefesa, pra não ter que culpar a si mesmo de não ter tido peito pra ir lá e fazer!

Então vivemos numa sociedade de gato e rato, de capa, de hipocrisia?! Onde todo mundo quer se libertar e ninguém consegue! É por isso que às vezes é melhor chutar o pau da barraca, é melhor pagar pra ver, dar a cara a tapa. Entre o sentir medo do que não se sabe e o enfrentar o desconhecido, é melhor, muito melhor ver o que há do outro lado do rio. Viver a vida leve, sem peso na consciência. Acumular experiências, ter o que contar, arriscar. Às vezes é bom quebrar o marasmo da rotina. Se explicar? Pra que, nunca? Outro aprendizado tirado dos livros e da vida: Nunca se explique. Aos inimigos não adianta, aos amigos não precisa.

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