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Tiago Paolelli,
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Namorar na praça

“O amor não consiste em olhar um para o outro,

mas sim em olhar juntos para a mesma direção”

(Antoine de Saint-Exupéry)

 

Tiago Paolelli

28 de fevereiro de 2004

 

Alguns dizem que é cafonérrimo, mas eu parto do princípio que namorar à moda antiga (também) é um charme.

Escolham Batista Campos no meio de semana, Praça da República aos domingos, Ver-o-Rio quando quiserem paz e tranqüilidade...ou simplesmente troquem a ordem, alternem finais e meio de semana, à noite ou de dia, não se arrependerão!

Namorar na praça é pegar na mão, andarilhar batendo papo, achando graça, mesmo que a graça nem tenha tanta graça assim. É perceber que os poucos que estão por perto estão te notando, te observando discretamente sentindo um resquício de inveja. Dar boa noite ao guarda municipal e sair rindo baixinho, como se isto fosse a maior das travessuras já realizadas.

Namorar na praça é descobrir o beijo no banco, debaixo de uma árvore, no tapume do pier do Ver-o-Rio. É descobrir o beijo escandaloso na ponte do laguinho, e depois de tudo isso, ver que o casal bem próximo a você vislumbra que “melhor seria se tivéssemos a capacidade de esquecer do mundo que nem eles fazem”.

Namorar na praça é sentar inadequado no banco, olhos nos olhos, pernas entrelaçadas, só pra vê-la falar. Confidenciar pedaços pouco discutidos da vida, contar segredos mais atrozes possíveis, é ter de volta desejos de criança, fazer juras de amor, colar rosto no rosto só para poder olhar na mesma direção.

É, no meio do beijo, desejar o bem, querer o bem e querer repetir essas não planejadas noites mais e mais vezes...É deixar envolver-se sem ter medo da inconseqüência; sair de cabelo arrepiado e mesmo assim estar bonito; descobrir a fragrância do perfume milimetricamente pelo pescoço, cangote, ombros, camisa...

É descobrir que, no beijo, a melhor posição é virar a cabeça para a direita, e não para a esquerda, mas ainda sim, ciente da não-aptidão, combinar treinos e adestramentos para especializar-se na desacostumada posição.

Depois de tudo isso, pegar o carro sem prumo, passar pelos locais mais bonitos da cidade-morena, sapecar beijos no sinal fechado, mão comportada nas pernas ouvindo amenidades, e acabar no lanche do Miléo, ou André, tanto faz, revigorando-se para sonhar a reprise dos momentos recém realizados, horas antes do descanso merecido. Ainda como seqüência protocolar, fazer mais uma sessão de beijos intermitentes na frente do prédio, antes da despedida final, com carinhos e afagos, prometendo e querendo mais.

E no dia seguinte, ligar dizendo que a noite passada foi inesquecível, e dizer ainda que, deseja mais e mais noites dessas, namorando na praça, no Rodrigues Alves, no Ver-o-Rio, na República, na Estação...

 

Beijos apaixonados.

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