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"O problema é meu, a educação é minha!"*

"O mau português mata a maior idéia e a boa forma até duma imbecilidade faz uma jóia."(Monteiro Lobato)

Vani Medeiros

 

É impressionante como as pessoas falam errado. Não estou me referindo àqueles que não tiveram oportunidade de estudar, aprender, etc, e sim aos que estudaram, têm nível superior, são professores (!), mestres, doutores, e falam errado.

Isso ocorre porque, apesar de a língua ser a mesma, as pessoas que a usam são completamente diferentes. Existe a camada inferior, que compreende os analfabetos e pessoas com o vocabulário mais rudimentar; a camada média, em que as pessoas já têm certo nível de ensino e costumam ler por interesse e curiosidade; e a camada superior, que representa a média entre o que se fala e o que se escreve, em uma linguagem mais usual e cotidiana.

Muitos desses erros (que podem ser de gramática ou de estilo), com o tempo, viram vícios de linguagem. É como se houvesse uma epidemia avassaladora de pronomes mal-posicionados, verbos com erros de conjugação, crase fora do lugar, esparramo (mania de falar, falar e não dizer absolutamente nada), cacofonia, aliterações, neologismos, enfim. Tem gente falando de tudo por aí, é só prestar um pouco de atenção (às vezes nem precisa).

O erro campeão é o famoso pronome “mim”. Tudo é “pra mim fazer”, “pra mim estudar”, “pra mim usar” (dá até uma dor quando eu escrevo isso). Será que ninguém aprendeu que é “pra eu fazer”, “pra eu estudar”, “pra eu usar”? Todo mundo que teve a chance de estudar português certamente já aprendeu o correto. Outro muito freqüente é o “menos”, que não vai para o feminino. Mas sempre tem alguém falando “menas coisas”. Uma vez fui à missa e ouvi o padre dizer que desejava um ano de “menas guerras, menas fome, menas doenças...”. Eu desejava “menas” barbaridades com a língua portuguesa.

E os barbarismos? É “gratuíto”, “pertubar”, “desinteria”, etc. Isso quando não aparece alguém perguntando “Tu visse a novela?”. Visse? É v-i-s-t-e!!! Dá vontade de dar um livro do Pasquale Cipro Neto de presente a cada uma dessas pessoas.

Falar errado, além de ser feio, acaba com a imagem de uma pessoa. Imaginem, por exemplo, um advogado superconceituado, respeitado pelos colegas, em uma palestra dizer “Desculpem o atraso, é que não deu pra mim vir mais cedo”. Ele perde a moral ou não? Claro que perde, basta um sério deslize de português. É terrível estar na faculdade e ouvir um professor falar errado, ou escrever “gravides” na transparência. Isso é falta de leitura, sabiam?! Quem lê escreve melhor, fala melhor e aprende mais.

Eu quase sempre corrijo as pessoas que falam errado, assim como eu gostaria que me corrigissem. Às vezes a pessoa nem está prestando atenção no erro, ou nem mesmo sabe qual a maneira correta. Se cada um fizer a sua parte, bastantes erros podem ser extintos e nossos ouvidos irão agradecer (Escrevi “bastantes” de propósito. E agora, errei ou não? Quer saber? Vai estudar português!).

 

*Frase que ficou para a história, proferida pela já-famosa-e-agora-desconhecida Solange Ex-BBB (isso é profissão?!)

 

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