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A Desfeiteira é
uma dança que tem origem na vila de Alter-do-Chão,
paraíso ecológico localizado a cerca de
30 quilômetros do município de Santarém
(PA), na Região do Baixo Amazonas. Pela proximidade
com o Estado do Amazonas, lá também a
Desfeiteira acabou se integrando à cultura popular
local. Mas é na festa do Çairé,
em Santarém (no mês de setembro), que se
pode ver com mais freqüência essa manifestação
folclórica, ainda nos dias atuais.
A dança recebe
o acompanhamento musical com instrumentos percussivos
de pau e corda, além do sopro. São usados
curimbós, maracás, ganzáz, banjos,
cacetes e flautas.
Os casais de dançarinos
se posicionam em duas colunas de pares. Em geral, as
mulheres se posicionam à direita dos homens.
A dança começa com os homens com o braço
esquerdo voltado para as costas. A mão direita
dos homens segura a mão esquerda das damas, que
usam as saias para acompanhar os movimentos do companheiro.
Basicamente, os movimentos
são compostos de dois passos à direita
e levanta o pé esquerdo, e dois passos para a
esquerda, levantando o pé direito. A seqüência
é repetida por duas vezes. Depois, os pares se
enlaçam e, em passos com pequenos pulos, vão
formando um grande círculo que gira em sentido
anti-horário.
Na terceira vez em que
a música se repete, os pares se soltam. Os homens
passam a dançar com o braço esquerdo para
cima. Já a dama, mesmo segurando a saia muito
rodada, fica com o braço livre, girando uma vez
para cada lado. A dança vai prosseguindo até
que, de súbito, a música pára e
o casal que estiver mais próximo do conjunto
musical tem que cantar uma quadra sem acompanhamento,
enquanto os outros casais permanecem calados no mesmo
lugar, apenas marcando o passo.
O
nome “Desfeiteira” vem das origens dessa
manifestação folclórica. Conta-se
que os escravos africanos e os índios Boraris,
que habitavam aquela região do Pará, reuniam-se
no barracão ao final do dia para momentos de
descontração. Nesses momentos, dançavam
e cantavam músicas compostas de improviso onde,
em geral, faziam críticas bem humoradas a seus
senhores, para “desfeiteá-los”. Por
isso que até hoje quando a música pára,
o casal mais próximo tem que recitar as quadras
engraçadas, como se estivesse sendo “desfeiteado”.
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