|
A Dança de Obaluaiê tem origem no culto
ao orixá de mesmo nome, que faz parte do panteão
do candomblé africano. Ao contrário das
danças típicas da região amazônica,
a Dança de Obaluaiê é uma manifestação
cultural que existe em várias regiões
do Brasil, tendo sido introduzida na Amazônia,
e também nas demais regiões do país,
no tempo do Brasil colonial. Hoje, não é
tão comum ver esse tipo de apresentação
em eventos folclóricos comuns. É mais
facilmente encontrada em terreiros de camdomblé
ou umbanda e também em centros de defesa da cultura
afro-brasileira. É uma dança que pode
ser encenada por homens ou mulheres.
Obaluaiê,
orixá da morte que, segundo a mitologia africana,
teria o corpo coberto de chagas, se apresenta nos terreiros
de camdomblé envolto num manto de palha-da-costa
que o cobre desde a cabeça, deixando que vejam
apenas dos joelhos para baixo. Por isso, durante a dança,
é assim também que os dançarinos
se apresentam.
O
início da apresentação é
marcado por uma invocação ao orixá
que é repetida por um grupo de músicos
que formam um coro. No final da invocação,
são apresentados seis orixás como parte
da apresentação. Todos eles rendem homenagens
a Obaluaiê. O acompanhamento musical é
feito com instrumentos de pau, de corda e de sopro como:
Curimbós, maracás, ganzáz, banjos,
cacetes e flautas.
A
vestimenta para essa dança é composta
de uma saia de renda rodada que vai oculta por uma segunda
saia feita de palha-da-costa com búzios adornando
a pala. Cobrindo toda a cabeça do dançarino,
vai uma espécie de terceira saia. A cabeça
toda, inclusive o rosto, ficam completamente cobertos
por esse acessório que se alonga até as
coxas, cobrindo também boa parte do corpo. São
usados também muitos colares e guias de contas,
parecidas com as que são utilizadas pelas mães
e pais de santo em trabalhos das religiões afro-brasileiras.
A palha também é amarrada nos braços
e pernas. Dança-se descalço.
Para
apresentar a dança de Obaluaiê é
necessário um preparo físico e tanto.
Os movimentos são frenéticos e a movimentação
das palhas durante os pulos e rodopios dos bailarinos
é um espetáculo à parte.
|