A
festa do Bumba-meu-boi ou Boi-bumbá tem suas origem
no Nordeste do país, mas disseminou-se por quase
todos os estados da Amazônia, em especial o Amazonas,
visitado anualmente por milhares de turistas que vão
para conhecer o famoso Festival Folclórico de Parintins,
realizado desde 1913.
Na
maioria das versões de boi-bumbá existentes
em cada Estado, o enredo encenado é geralmente
o mesmo. O tripa do boi é uma das peças
mais importantes da brincadeira. É o homem que
dança embaixo da carcaça do
boi. O som fica por conta das toadas, com batuques de
tambores, repiques, caixinhas e surdos. Esse é
o boi em sua forma, digamos, mais original, que em muitas
localidades da Amazônia ainda é reproduzido
de forma eminentemente folclórica. Tanto que
para muitos, esse boi original e primitivo em pouco
ou nada se assemelha à grandiosa festa dos bois
de Parintins, realizada no mês de julho, a cerca
de 400 Km de Manaus, no Amazonas.
Garantido
e Caprichoso
O
imaginário indígena e figuras mitológicas
como pajés e feiticeiros foram incorporados às
tradições do boi. Por isso, durante o
Festival Folclórico de Parintins, a cidade é
chamada de ilha Tupinambarana. As cores
vermelho e azul, que representam respectivamente os
bois Garantido e Caprichoso, tomam conta do bumbódromo,
espécie de arena construída especialmente
para a realização da festa que acontece
de 28 a 30 de julho.
Enredo
As
apresentações dos bois em Parintins desenvolvem-se
de acordo com um enredo que conta a história
do negro Francisco, funcionário de uma fazenda
e cuja mulher, Catirina, estava grávida. O estado
interessante da mulher causou-lhe o desejo
de comer a língua do boi mais estimado pelo dono
da fazenda. Para que o filho não nascesse com
cara de língua de boi, o jeito foi satisfazer
o desejo da mulher.
Então,
segundo o enredo, Francisco mata o boi preferido do
patrão. O amo descobre e manda os índios
caçarem Pai Francisco, que busca um pajé
para fazer ressuscitar o boi. O boi renasce e tudo vira
uma grande festa.
Para
desenvolver o tema, cada boi leva cerca de 3 horas.
São verdadeiros espetáculos de luzes e
cores incluindo show pirotécnico nas aberturas
de cada apresentação. Os bonecos gigantescos
representando cada personagem da trama são um
show à parte.
Cada
uma das agremiações leva ao bumbódromo
cerca de 5 mil brincantes a cada ano. Cerca de 35.000
pessoas prestigiam o espetáculo anualmente.
Curiosidades
A
explicação mais corrente para a origem
dos nomes dos bois Garantido e Caprichoso remonta a
um amor proibido que o poeta Emídio Vieira teria
cultivado pela mulher do repentista Lindolfo Monteverde.
Ambos apresentavam seus bois todos os anos.
Como
não podia ter a mulher de Monteverde, Emídio
lançou o desafio: "Se cuide que este ano
eu vou caprichar no meu boi". Ao que o repentista
respondeu: "Pois capriche no seu que eu garanto
o meu". A rivalidade cresceu entre os dois e, a
cada ano, um queria ser melhor do que o outro. Os outros
grupos de apresentação de bois foram ficando
pelo caminho e apenas os Garantido de Monteverde e o
Caprichoso de Vieira chegaram aos nossos dias.
Por
falar em rivalidade, essa é uma das principais
características da festa dos bois de Parintins.
Apesar do respeito que é regra no bumbódromo
onde as torcidas jamais devem vaiar a apresentação
do boi adversário, há algumas nuances
que demonstram a rivalidade das torcidas. Quando um
torcedor do Garantido quer se referir ao Caprichoso,
por exemplo, ele jamais menciona o nome do adversário,
diz apenas o contrário. E vice-versa.
Os músicos que tocam no Caprichoso formam a Marujada,
enquanto os do Garantido são a Batucada. E por
aí vai.
O
fato é que, seja Garantido ou Caprichoso, ambos
representam uma das maiores manifestações
folclóricas de nosso povo.
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