No
Amapá, o Marabaixo é uma das mais vivas
e belas manifestações da cultura herdada
dos negros africanos. Em alguns municípios como
Curiaú e Igarapé do Lago essa dança
é mais comumente praticada. Em Macapá, os
bairros do Laguinho e da Favela também conservam
fortes tradições do Marabaixo.
Essa
dança possui uma coreografia que imita os passos
dos negros escravos com os pés presos por correntes.
O batuque é comovente e cadenciado sendo marcado
por tambores chamados de caixas. O canto,
ou ladrão , como é comumente
chamado, lembra o lamento firme e vivaz de quem vivia
na senzala cultivando esperanças em voltar para
o continente africano. O termo ladrão
para designar as músicas cantadas durante a dança
é devido à forma improvisada como as músicas
se desenvolvem. Um participante rouba a
deixa do outro que vai completando a música na
improvisação.
Uma
das explicações para a origem do nome
Marabaixo diz que significa mar abaixo,
dando a idéia do trajeto dos negros da África
para o Brasil. Outros dizem que vem de marabiti,
termo da língua árabe que quer dizer "saudar
os deuses".
No
Amapá, existe uma espécie de calendário
oficial do Marabaixo que começa no domingo da
Páscoa, no bairro Laguinho, em Macapá.
Depois da missa na Igreja de São Benedito, o
Marabaixo é dançado de manhã e
à tarde na casa do festeiro. Cinco
semanas depois da Páscoa, num sábado,
é feita a chamada Cortação
do Mastro. Os participantes da festa cortam o
mastro e o guardam para o dia seguinte quando acontece
o Domingo do Mastro. No domingo, munidos
com bandeiras do Divino Espírito Santo e da Santíssima
Trindade, os brincantes vão buscar o mastro,
dançando, cantando e soltando foguetes. Pegam
o mastro e levam para a casa do festeiro.
Dali
a 3 dias, é a Quarta-feira da Murta.
Murta é o nome de uma planta cheirosa que para
os dançantes do Marabaixo tem o significado místico
de limpeza espiritual. Na tarde de quarta-feira, os
participantes vão fazer a colheita da murta para
ser usada no dia seguinte, chamado de Quinta-feira
da Hora. É quando ocorre o levantamento
do mastro: enfeitado com os galhos de murta e
a bandeira do Divino no alto, o mastro é fixado.
Nesse dia, a festa dura até a madrugada. Nos
18 dias seguintes, são feitas ladainhas ao Divino
e à Santíssima Trindade na casa do festeiro,
onde é montado um altar. E todas as noites, depois
da ladainha, há festas.
Exatamente
9 dias após a quinta-feira da Hora, acontece
o Sábado do Divino Espírito Santo
quando há uma grande festa na casa do festeiro.
No dia seguinte, Domingo do Divino Espírito
Santo, o Marabaixo é dançado novamente.
E as ladainhas continuam até o final de semana
seguinte, encerramento da festa, com o Sábado
da Trindade e o Domingo da Trindade.
No
sábado da Trindade, há mais
uma festa na casa do festeiro. E no domingo, uma missa
matinal. No domingo à tarde é feita novamente
a "quebra da murta", dessa vez para enfeitar
o mastro à Santíssima Trindade. Durante
a colheita da planta, muita dança, canto e foguetes
com a bandeira da Santíssima Trindade empunhada
pelos participantes.
Na
noite de Domingo, finalmente, acontece a ladainha de
encerramento em louvor à Santíssima e
o baile. Mas quem pensa que o calendário acaba
aí, se enganou!
No
dia seguinte, Segunda-feira do Mastro, é
feito um buraco à frente da casa do festeiro
para a fixação do Mastro da Santíssima.
É feita a levantação do segundo
mastro, que é fixado ao lado do primeiro, erguido
semanas antes. Os mastros do Divino e da Santíssima
Trindade ficam lado a lado. Isso é feito de manhã
bem cedo. Até o meio dia dança-se o Marabaixo.
A
finalização do período de festa
se dá no domingo seguinte ao levantamento do
mastro à Santíssima. Os participantes
chamam de Domingo do Senhor. Nesse dia,
o Marabaixo é dançado até as 18
horas, quando acontece a "Derrubada do Mastro",
quando os dois são derrubados. A dança
segue até altas horas. E a tradição
segue através dos séculos.
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