|
 |
| Amazonas:
muito
altas, de pele clara, com cabelos compridos
. |
|
 |
|
|
|
A lenda das mulheres guerreiras foi o que deu origem ao nome
do estado mais extenso do Brasil e do maior rio da região
amazônica, um dos maiores do mundo. Os primeiros europeus,
ao chegarem às terras da futura Amazônia, contaram
ter encontrado tribos de mulheres cujos costumes assemelhavam-se
aos das famosas Amazonas da Capadócia, na Ásia
Menor.
A palavra Amazonas vem de a (sem) + mazos (seios), portanto,
sugere significar "mulheres sem seios" ou, pelo menos,
sem algum dos seios. Diz-se que as Amazonas extirpavam o seio
direito para melhor manusear suas armas durante as batalhas.
A tribo vivia sem permitir a presença de homens. Apenas
quando precisavam procriar, elas buscavam os machos de outras
tribos, mas depois da cópula eles eram obrigados a voltar
à tribo de origem. Os filhos das Amazonas, quando nasciam
meninas eram criadas com a mãe para aprender o ofício
da guerra. Mas quando nasciam meninos, eram entregues ao pai.
Segundo o folclorista Walcyr Monteiro, foi o navegante espanhol
Francisco de Orellana, em 1541, o primeiro a contar que ao chegar
ao Mar Dulce, atual rio Amazonas, ele e seus tripulantes teriam
sido atacados por uma tribo de mulheres descritas pelo Frei
Gaspar de Carvajal como muito altas e de peles muito claras,
com cabelos compridos, trançados e enrolados no alto
da cabeça. E mais: guerreando completamente nuas, portando
apenas seus arcos e flexas.
Pelos relatos, aquela foi uma batalha e tanto, na foz do rio
Nhamundá (atual limite entre o Pará e o Amazonas).
De um lado, os espanhóis surpresos com tantas guerreiras
que jamais esperavam encontrar. De outro, as mulheres comandando
uma legião de índios.
Os espanhóis foram vencidos e tiveram que fugir, mas
conseguiram capturar um índio que contou sobre a tribo
de mulheres.
Disse ele que havia cerca de setenta tribos semelhantes na região;
que elas viviam sem a presença de homens e que dominavam
as tribos vizinhas. O índio contou ainda que quando era
tempo de procriar as guerreiras pegavam índios à
força, nas tribos dominadas. Depois de engravidá-las,
eles eram mandados embora. De pronto, os espanhóis as
identificaram como sendo as Amazonas e passaram a chamar o então
Mar Dulce de "rio de Las Amazonas".
Outro detalhe importante é que os índios, por
desconhecimento da lenda das Amazonas da Capadócia, chamavam
as mulheres das tais tribos de Icamiabas, ou "mulheres
sem marido".
Diziam os índios que as Icamiabas (ou Amazonas, para
os europeus) presenteavam os homens após a cópula
com pequenos artefatos semelhantes a sapos entalhados em algum
mineral esverdeado, como a pedra de jade (jadeíta) ou
a nefrita, por exemplo. O presente era chamado de Muiraquitã.
Isso tudo acontecia durante um ritual dedicado à Lua.
Os Muiraquitãs eram pendurados no pescoço do visitante
e usados por eles até os próximos encontros sexuais.
A tribo de mulheres sem maridos nunca foi encontrada por pesquisadores,
mas o mesmo não se pode dizer dos Muiraquitãs.
Os pequenos adornos que seriam utilizados nos rituais de fertilidade
têm sido encontrados com freqüência na região
do Baixo rio Amazonas, justamente onde Francisco de Orellana
diz ter travado uma batalha com as lendárias mulheres.
Diz-se que quem encontra uma pedra de Muiraquitã terá
sorte no amor e força contra as doenças. Até
hoje, muitos artesãos confeccionam peças similares
para vendê-las em feiras de artesanatos da região.
Os verdadeiros Muiraquitãs estão em museus ou
em coleções particulares.
|
|