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gente que vira cavalo, porco, cobra, cachorro e assim
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Até mesmo nas periferias de algumas capitais da Amazônia,
não é difícil ouvir histórias de
gente que vira bicho. Imaginem no interior!
Tem gente que vira cavalo, porco, cobra, cachorro e assim vai.
São pessoas que em noite de luar bonito se isolam da
sociedade para cumprir seu destino solitário.
Cumprido o fado, o bicho volta a ser gente, veste suas roupas
que ficaram escondidas em algum local ermo e volta para casa,
como se nada tivesse acontecido, mas com apenas uma certeza
no coração: na próxima noite de lua, o
destino lhe baterá à porta novamente, até
o final da vida.
A constante nessas histórias é o fato de que,
o bicho-gente quando atingido de forma fatal, novamente se transforma
em humano. Por isso, dizem que a única cura para o triste
sofrimento de quem vira bicho é a morte.
À boca pequena, as pessoas que viram bicho em geral são
descritas como muito pálidas, "amarelonas"
no linguajar popular. Também são muito caladas,
talvez por temerem a revelação do fatídico
segredo.
Há quem diga ter presenciado a transformação.
Para ver uma cena dessas, dizem os caboclos, tem que ter muita
coragem ou ser muito curioso, pois não é nada
bonito de se ver. O ser, ainda em estado humano, retorce o corpo
caído ao algum local escondido, amargando o cruel sofrimento
que está por vir. A transformação pode
ocorrer nas areias de alguma praia, no mato ralo à beira
de alguma estrada ou em clareiras dentro de mata fechada, as
chamadas capoeiras.
Depois de muito se bater no chão, a transformação
começa a acontecer e o bicho se levanta. Corre 7 encruzilhadas
a judiar de todos por onde passa. Por isso mesmo, ganha inimizades
a cada lua. Até que a comunidade se revolta contra o
estranho animal e se combina para lhe abater. É o final
de uma vida de sofrimentos e angústias.
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