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Curupira: cabelos
cor de fogo e pés com calcanhares para frente |
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Outro ser lendário bastante comum na Amazônia é
o Curupira, descrito como um menino de estatura baixa, cabelos
cor de fogo e pés com calcanhares para frente que confundem
os caçadores. Dizem que o Curupira gosta de sentar na
sobra das mangueiras para comer os frutos. Lá fica entretido
ao deliciar cada manga. Mas se percebe que é observado,
o Curupira logo sai correndo, e numa velocidade tão grande
que a visão humana não consegue acompanhar. "Não
adianta correr atrás de um Curupira", dizem os caboclos,
"porque não há quem o alcance".
O Curupira tem a função de proteger a mata e seus
habitantes, inclusive pune quem os agride. Há muitos
casos também de Curupiras que se encantam por crianças
pequenas, que são levadas embora por algum tempo e depois
devolvidas aos pais, em geral depois de 7 anos.
As crianças encantadas pelo Curupira nunca voltam a ser
as mesmas depois de terem vivido na floresta, encantadas pela
visagem.
Muito traquino, o Curupira também pode encantar adultos.
Em muitos casos contados, o Curupira mundia os caçadores
que se aventuram a permanecer no mato nas chamadas horas mortas.
O encantado tenta sair da mata, mas não consegue. Surpreende-se
passando sempre pelos mesmos locais e percebe que está
na verdade andando em círculos. Em algum lugar bem próximo,
o Curupira está lhe observando: "estou sendo mundiado
pelo Curupira", pensa o encantado.
Daí só resta uma alternativa: parar de andar,
pegar um pedaço de cipó e fazer dele uma bolinha.
Deve-se tecer o cipó muito bem escondendo a ponta, de
forma que seja muito difícil desenrolar o novelo. Depois
disso, a pessoa deve jogar a pequena bola bem longe e gritar:
"quero ver tu achares a ponta". A pessoa mundiada
deve aguarda um pouco para recomeçar a tentativa de sair
da mata.
Diz a lenda que, de tão curioso, o Curupira não
resiste ao novelo. Senta e fica lá entretido tentando
desenrolar a bola de cipó para achar a ponta. Vira a
bola de um lado, de outro e acaba se esquecendo da pessoa de
quem malinou. Dessa forma, desfaz-se o encanto e a pessoa consegue
encontrar o caminho de casa.
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