|
 |
| A
Mãe-d'água é a sereia das águas
amazônicas. Dotada de indescritível beleza
e canto maravilhoso |
|
 |
|
|
|
A Mãe-d'água é a sereia das águas
amazônicas. Dotada de indescritível beleza e canto
maravilhoso, a Mãe-d'água encanta os pescadores
que passam muito tempo sozinhos a navegar. Muitos deles não
resistem ao seu delicioso canto e à sua beleza estonteante.
Esses são levados pela visagem para morar com ela nas
profundezas das águas onde desaparecem. A maioria nunca
mais volta para suas famílias.
A Mãe-d'água habita as águas doces. Rios
e igarapés são os seus domínios. Por isso,
quem sai para pescar em horas mortas pode incomodar a mãe
d'água que facilmente se melindra e encanta o invasor
castigando-o com uma febre alta que nenhum médico dará
jeito.
A cultura indígena trás algumas versões
para a origem da lenda. Uma delas refere-se à história
de uma índia chamada Dinahí, que impressionava
a todos da tribo dos Manau por sua coragem. A índia era
mais valente do que muitos homens da tribo. Isso começou
a causar inveja entre os guerreiros da tribo, que passaram a
persegui-la de todas as formas.
Numa noite, dois irmãos de Dinahí tentaram matá-la
durante o sono, mas não conseguiram porque a índia
tinha a audição mais aguçada do que um
felino. Dinahí acordou e para se defender acabou matando
os irmãos. Com medo da fúria de seu pai, o velho
Kaúna, a índia fugiu.
Kaúna saiu na noite a perseguir Dinahí que durante
várias luas conseguiu escapar. Mas sozinha e cercada
pelos guerreiros de seu pai acabou sendo capturada. Kaúna
ordenou que a filha fosse jogada nas águas, exatamente
no encontro dos rios Negro e Solimões. Nessa hora, centenas
de peixes vieram em socorro da índia guerreira e sustentaram
seu corpo trazendo-o até a superfície. Os raios
do luar tocaram a face de Dinahí e a fizeram se tornar
uma bela princesa, com cauda de peixe e de cabelos tão
escuros quanto as águas do rio Negro.
A índia guerreira se tornou a Mãe-d'água,
representação da beleza e coragem da mulher da
Amazônia.
|
|